Juliane Pimentel
Jun 13 · 2 min read

O vazio que fica

Na contramão do Dia dos Namorados, um término: não exatamente de um relacionamento, namoro ou crush. O fim de um sentimento. A percepção real e física da transformação de amor (concreto e vivido) em lembrança. O beijo que já não parece te conduzir pela naturalidade. O corpo que já deixou de ter curvas e traços tão comuns e familiares. O vazio completo de certezas e histórias.

Quando nos apaixonamos por aquela pessoa que mudou nossas vidas? Sabemos? O que virou a chave e decretou: é amor!? Difícil escolher um momento exato. E quando o inverso acontece? Quando é que deixa de ser amor?

A experiência mais recente – e por isso a que trato aqui – me faz crer que nos desapaixonamos quando precisamos nos esforçar para fazer o que antes era natural. O desencanto se torna verdade quando o corpo rejeita o que a mente já absorveu. O coração, ainda que pulse, já não depende daquele cheiro, daquele beijo ou daquele calor.

A certeza do fim surge quando não mais somos inteiros. Falta. E é abstrata a ausência. Talvez tu tenhas mudado. Ou tu já desnudou o outro de toda expectativa e projeção que antes eram combustíveis para tanto sentimento.

Mas não creio que o amor vai embora, fecha a porta e some. O amor se transforma. Em carinho, em afeto, em cumplicidade. O amor segue seu rumo.

Porque ele sabe que desse lugar já não há o que conhecer, aprender ou viver. É preciso seguir em frente. O amor precisa estar em sintonia com a caminhada de quem o sente. Não há como seguir sem ele. Nem querer ficar quando ele já não se faz presente.

O amor é o nosso todo dia. O amor são as nossas sutis conquistas. O amor é grande e não se satisfaz com pequenas porções de reciprocidade. Para ele é tudo. Ou nada. E se nada for, que abra espaço para o novo. Tanto faz? Não quando amamos.

E o vazio que fica? Difícil identificar a melhor forma de superá-lo. Talvez por isso esse texto seja cheio de perguntas e não respostas. A minha única certeza é que quando se abre espaço, quando limpamos a bagunça, um novo ambiente nasce. Uma nova morada se prepara para receber o inquilino corajoso e resiliente em meio a tantas desilusões: o amor.

    Juliane Pimentel

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