Juliane Pimentel
Aug 10 · 2 min read

Por que você faz terapia?

Tudo começou quando eu tive a primeira crise de pânico. Eu estava no trem, voltando para a casa após mais um dia de trabalho. Lembro que era sexta à noite e tinha finalizado um trabalho na agência que nos atendia. Nada de diferente. Nenhuma novidade. Até que o trem simplesmente parou, sem aviso, entre duas estações. Em questão de segundos senti na pele, literalmente, o que era uma crise de pânico. Sensação de morte, eminente. Lembro dos sintomas até hoje: boca seca, corpo trêmulo, falta de ar, mãos suando e uma vontade incontrolável de sair daquele lugar. Urgente!

Depois desse primeiro episódio entendi que era hora de procurar ajuda. Pela forma violenta como o pânico me atacou, achei que meu caso fosse psiquiátrico. Já tinha aceitado a possibilidade de usar medicação. Contanto que NUNCA mais tivesse outra crise. Ledo engano.

Tive a sorte de procurar atendimento especializado e encontrar um médico que fez o mais difícil: não ficou comigo, muito menos quis me medicar. Disse que meu caso era terapêutico. Que eu precisava de alguém para conversar. Logo eu, que vivia de palavras e da comunicação.

Aceitei, sem questionar. Fui para a terapia cognitiva comportamental. Me expus. Abri todas as feridas. Revivi todas as dores. Questionei. Neguei. Briguei. E voltei. A cada semana eu me encontrava novamente na mesma poltrona, falando sobre mim, sobre minhas angústias, medos e incertezas. Transformei tudo isso em muita coragem e racionalidade. Coragem para enfrentar cada medo e racionalidade para entender o que minha alma pedia.

Não foi e nem tem sido fácil. Porém tem sido libertador. A caminhada do autoconhecimento é lenta e permanente. Exige esforço e exposição. Exposição, aliás, tem sido a única forma que encontrei de enfrentar e superar os medos. A cada enfrentamento, uma pequena vitória. Comemorada com quem convive comigo e com quem eu compartilho os detalhes dessa história.

Terapia não é e nunca será uma necessidade de algumas pessoas. Terapia é indispensável para a saúde mental. Deveria ser obrigatória e com acesso possível a todos. Terapia é a oportunidade de entender e aprender a lidar com traumas e situações que todos nós passamos ao longo dos anos e que muitas vezes simplesmente ignoramos, colocamos para embaixo do tapete, como se elas fossem desaparecer num passe de mágica.

Ocorre que as marcas ficam. Os traumas existem e, se nada for feito, eles se transformam em transtornos. Eu desenvolvi a ansiedade – que em um nível máximo chega ao pânico.

Já se passaram quatro anos do início da minha terapia. A evolução é permanente e perceptível. Gritante, por vezes. O caminho ainda é longo, eu sei. Mas acredito que é o certo. E é por ter vivido e sentido toda essa experiência que eu me exponho mais uma vez. Agora aqui, através de palavras, pra dizer: se você se identifica minimamente com o que eu escrevi, se você já pensou em procurar ajuda de um profissional – e seja lá por qual dos 17379272 motivos de autossabotagem você ainda ainda não procurou – siga em frente. Você não está sozinho nessa. Enfrente. Se tem alguém por quem vale a pena lutar é por você mesmo!

    Juliane Pimentel

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