Tchau, Kimbra

Conforme prometido neste post, hoje eu começo a colocar uma série de discos para venda.

A primeira vez que vi a Kimbra foi -acreditem ou não- nas gôndolas de uma loja física. Vivemos numa época em que a internet corta qualquer barreira entre a criação e o público. Se antes as gravadoras tinham a chave dos portões que controlavam quem entrava e quem saía das ondas do rádio e das lojas especializadas, hoje elas é que atuam influenciadas pelo consumidor de música.

Kimbra seria um desses casos. Ela é neo-zelandesa e seu som poderia ser classificado como pop experimental, visto que ela tem forte influência do jazz, do soul, eeeee… Björk. Juro que a islandesa foi a primeira coisa que me veio à cabeça só de olhar para a capa de seu disco de estréia, “Vows”, lançado em 2011.

Difícil dizer se a Warner Brasil estava dando um tiro no escuro ou se percebeu a viabilidade dela conseguir vender algumas cópias, graças ao público brasileiro que a acompanhava pela internet. Uma coisa é certa: ela chamou a atenção por aqui ao ser a voz feminina que acompanhava o Gotye na canção “Somebody that I used to know”.

“Vows” é um disco que dificilmente passaria nas FMs do Brasil, e por isso mesmo tão legal. Para se ter uma ideia do caldeirão sonoro de Kimbra, basta pegar “Cameo Lover”, de longe a canção mais acessível, em termos radiofônicos. Ela começa de cara com uma batida de Miami Bass, usada no funk carioca, com os versos entoados num maneirismo ao estilo das cantoras de R n’ B, quando de repente, o ritmo é quebrado na hora do refrão, quando o arranjo se transforma no melhor exemplo de referência à música negra dos anos 60. Impossível não lembrar da Motown de Diana Ross e Marvin Gaye, entre outros. Neste momento, a voz de Kimbra mostra potência e técnica, se assemelhando ao tom das cantoras daquela época. Parece música de abertura de filme, ou aquelas que você escuta quando está reunido om os amigos para se arrumar juntos antes de sair.

A aura da Björk está presente em “Good Intent”, que lembra muito “Human Behavior” e “Old Flame”, que apresenta um clima frio e etéreo que remete aos arranjos que norteiam “Homogenic”, terceiro álbum de inéditas da islandesa. Mas a cereja do bolo está mesmo na música que abre o disco, “Settle Down”, com uma letra ácida que discorre sobre a pressão que as mulheres sofrem ao seguirem a cartilha que a sociedade vende como vida perfeita. Estão no mesmo pacote a corrida para ser bonita, para ser uma boa dona de casa, para ter um marido belo e cercá-lo da ameaça da sedução feminina alheia. O arranjo é um mosaico de sobreposições sonoras, onde Kimbra faz do seu corpo um instrumento quase percussivo, combinando palmas e sons vocais que marcam a batida da canção.

O clipe de “Settle Down” é um show a parte e segue a estética retrô e faz uso de atores infantis, o que potencializa o tapa na nossa cara, ao mostrar que as mulheres começam a ser pressionadas desde pequenas. Vale muito a pena.

Em 2014, Kimbra retorna com “The Golden Echo”, um disco onde ela tomou uma decisão arriscada em tempos de vendas baixas: em vez de seguir o caminho trilhado em “Vows”, ela aqui abraça a sonoridade dos anos 80 e 90. Isso não significa que o disco de 12 faixas seja inteiramente pra rodar na pista de dança. Ele tem seus momentos introspectivos e grandiosos, com arranjos de corda que duram 30 segundos (uma eternidade para os padrões da música pop), corais e muito, mas muito sintetizadores e baterias eletrônicas.

Apesar disso, ela manteve a sua essência, ao mostrar que é uma artista dona de uma respeitável bagagem de referências a serem usadas na medida certa. The Golden Echo mostra uma Kimbra diferente, mas ao mesmo tempo familiar: você passar a enxergar a capacidade dela de mudar para continuar mostrando o que ainda não saiu a público de seu interior.

“The Golden Echo” emula a sonoridade de Michael Jackson na era Quincy Jones, em algumas faixas a semelhança com a maneira de cantar da Janet Jackson de “Control” e “Rhythm Nation” é bem nítida e em certas faixas é possível viasualizar o Daft Punk, por exemplo. Esse disco é uma colcha de retalhos, que possui jóias do quilate de “90’s music”, cujo som faz você perguntar se não está ouvindo Santigold ou a M.I.A., para depois sair cantarolando “Miracle”, um pop que parece ter sido transportado diretamente de 1989 pra cá.

Mas por quê você está dando tchau à Kimbra?

Kimbra é maravilhosa e eu reconheço o seu talento, mas sinto que há outros títulos e artistas que me tocam mais. Como qualquer pessoa, seus discos possuem músicas que eu ponho no repeat e outras que eu sempre pulo. Ainda assim, não escuto seus discos com tanta frequência e não quero deixá-los estacionados numa estante sendo cobertos de poeira e mofo pela falta de uso.

Portanto, vou vender essas preciosidades por R$ 15 reais cada um. Estão em perfeito estado, sem manchas, defeitos nem amassão nos encartes.

Quer levar eles pra casa?

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