O consumo de conteúdo cresceu. Será que o mercado amadureceu?

Segundo a Reuters o brasileiro é quem mais se engaja com notícias no mundo.


por Juliano Marques

A Reuters acaba de divulgar um estudo, o Digital News Report, realizado em doze países. Nele encontramso dados bem relevantes sobre o consumo de conteúdo jornalístico (por consequência, consumo de mídia) no mundo. Sim, estamos lá e temos números intrigantes.

Segundo o report, no Brasil encontram-se alguns dos principais destaques sobre o consumo de notícias em redes sociais.

· Somos campeões no consumo de notícias por redes sociais (70%);

· Ganhamos também no quesito compartilhamento de notícias por redes sociais/e-mail (47%);

· Sem falar que, quem mais compartilha acaba sendo quem mais comenta notícias por redes sociais (44%);

· Por fim, consumimos mais notícias online (72%);

Isso mostra que o grande público quer cada vez mais consumir conteúdo, e apenas não quer mais que ele venha por jornal, rádio ou TV (a eterna queridinha dos brasileiros). Hoje a busca por notícias no online já figura a primeira colocação nas fontes de consumo pela informação, e isso são dados apresentados pelo estudo da Reuters.

Online assume a liderança como fonte de conteúdo jornalístico.

Sendo que o principal canal, sem surpresas, é o Facebook.

Estamos falando de uma mídia sem Home Pages, que pode mudar profundamente os rumos dos conteúdo jornalístico atual. Afinal, é fácil entender como portais de notícia funcionam. Desde o tempo que eles eram chamados somente de jornais e vendidos em bancas, as notícias relevantes alimentavam a audiência, que depois é vendida na forma de formatos publicitários.

Percebam que é um movimento simples e vem sendo amplamente impactado por essa nova tendência de consumo, já que o perfil dos “novos” consumidores tende a levar a audiência/tráfego para dentro das redes sociais e não para as páginas dos portais.

Veja o caso do banners em Displays Networks, por exemplo, esse formato não é mais tão atrativo: no report, 47% dos americanos dizem usar adblocks (bloqueadores de anúncios) em seus navegadores, enquanto no Reino Unido essa fatia é de 39%. O modelo de assinatura também é incerto: 68% dos americanos disseram que jamais vão pagar para ler algo na internet, enquanto no Reino Unido é de 75%.

Mesmo que pareça o fim os conglomerados de mídia e grandes portais de notícia, isso não dever encarado assim.

Uma boa prosa no pé do ouvido faz toda diferença.

Ricardo Boechat — Imagem retirada do Canal no Youtube do programa Agora é Tarde da Rede Bandeirantes.

Exemplo claro, e case de sucesso, Ricardo Boechat, mesmo antes do estudo da Reuters, se jogou no mundo social e vem promovendo uma das mais verdadeiras revoluções entre os sempre tão “coxinhas” ancoras do jornalismo nacional.

Ele percebeu o movimento da massa e é ouvido, curtido, comentado, compartilhado e aclamado por uma legião de seguidores. Por ventura, em uma de suas declarações (que está entre as mais vistas dos seus canais), ele incita justamente o excesso do jornalismo chapa branca no Brasil. Aquele jornalismo que não se posiciona que não tem opinião, que não conversa com seu consumidor e fica na mesmice, como se fosse alheio e apenas se assisti por uma tela mágica e é dono da verdade.

O que acaba levando a outra questão interessante, que deve ser levada em conta. A bolha ideológica que o algoritmos sociais criam. Afinal, tu nunca reparaste como nas tuas redes a grande maioria das suas conexões possuem pensamentos parecidos aos teus?

Esse algoritmos buscam compreender seus gostos e limitam sua Time Line de acordo com sua interação.

Leia esse artigo do El Pais e saiba mais, http://ow.ly/OsCO4

O Pulo do Gato

O que precisamos é romper essa bolha e entrar, assim como Boechat, na Time Line desses consumidores!

Isso gera um grande desafio para dois grupos de profissionais tão distintos e ao mesmo tempo tão próximos:

1. Os jornalistas, que precisam olhar para esses números e pensar como produzir, escrever e distribuir suas matérias para diversas plataformas;

2. Mídias e times do departamento comercial, que precisam quebrar a cabeça em como vender esse conteúdo no digital.

“O meio é a real mensagem”

Esse é o pulo, pois numa leitura rasa do relatório a primeira impressão pode ser de que tudo está perdido e que devemos investir mais ainda no Facebook.

Muito pelo contrário!

Com olhar mais atento percebemos que o público busca, somente, uma melhor experiência no consumo das suas notícias. Lembra, uma prosa.

Ele quer ouvir e ser ouvido de volta. O que pode ser provado com o crescimento do uso de Apps, como Whatsapp, para veiculação e propagação de conteúdo. Veja, no Brasil, 34% dos entrevistados afirmaram compartilhar e receber notícias por esse canal, e mais ainda, é por lá que debatem e constroem suas primeiras impressões sobre o assunto.

Então, restam agora aqueles dois grupos de profissionais, e eles precisam forjar uma parceria para entender de uma vez por todas que a tendência é muito mais palpável do que se pensa.

A hora agora é de investir. Investir no monitoramento, aprender com seu leitor e criar um produto melhor e que seja pautado no Social Relationship Manager, algo feito há muito tempo por grandes portais de notícia mundo a fora e tão pouco praticado no Brasil, o líder do rank.

Como diria o sociólogo Clay Shirky, “é mais fácil compreender a ameaça da concorrência, do que perceber a obsolescência.”

Juliano Marques é Growth Hacker, Estrategista Digital e Cervejeiro. Atualmente é responsável pela área de Negócios e Publicidade no Núcleo de Digital Services do Terra. Além disso, ministra cursos e palestras sobre em todo o Brasil, abordando diversos temas ligados ao digital. Siga @julianom87.