Como ler tanta notíca: um guia prático (4) — Jornais nos apps

Neste início de século 21, os jornais poderiam recorrer à frase de Mark Twain: “relatos de minha morte foram enormemente exagerados”. Estão vivos, ainda que sua forma tradicional, em papel, esteja em declínio. Os últimos dados do IVC disponíveis mostram que, embora ainda representem 11% da circulação total dos véiculos auditados, as assinaturas digitais mais que dobraram de 2013 para 2014.

A persistência do modelo demonstra, como afirmou Ricardo Gandour em artigo publicado no Meio & Mensagem em abril de 2015, que sempre haverá espaço para um serviço diário que resuma e hierarquize o noticiário das últimas 24 horas, ainda que os jornais como os conhecemos despareçam.

Apesar do surgimento de valorosos serviços online e aplicativos que se propõem a prestar esse papel, é preciso reconhecer que os grandes jornais ainda entregam o melhor serviço de curadoria diária de notícias do mercado editorial brasileiro, acrescida de sólido conteúdo analítico. Prova disso é a influência que continua a ter sobre o debate no país, das redes sociais ao Jornal Nacional, aquilo que vai em suas páginas.

No meu sistema de consumo de notícias, nenhum serviço online (ou mesmo os inúmeros clippings que recebo por força de minha atuação profissional) substitui a edição integral do jornal, tal como foi pensada pelos editores. Apenas nela estão refletidas claramente as escolhas editoriais, por meio da hierarquia das notícias, da definição de fotos, do espaço dedicado a cada assunto. Também pela edição impressa se pode acompanhar o movimento da publicidade, companheira inseparável do bom jornalismo.

Nesse cenário, a chegada dos tablets mudou radicalmente meus hábitos diário de leitura. Atualmente, é possível baixar no iPad as edições de todos os grandes jornais e revistas do país. Todos contam com bons aplicativos, que melhoraram muito seu funcionamento ao longo dos anos. É preciso ser assinante, claro, mas também é possível comprar edições avulsas. A boa notícia é que a assinatura digital sai por aproxidamente metade do preço da assinatura em papel (veja abaixo). Para quem já tem o tablet, difícil competir, não?

Assinatura digital anual dos jornais Primeiros meses Valor mensal Folha R$ 1,90 por 1 mês R$ 29,90 Estadão R$ 5 por 3 meses R$ 20,99 Valor 11 vezes de R$ 42,20 O Globo R$ 5,90 por 6 meses R$ 19,90 por 6 meses

Mas as vantagens vão muito além do preço. Imagine, por exemplo, carregar na minha mochilinha as edições em papel de pelo menos quatro jornais todos os dias. Ainda que tenham diminuído muito de tamanho nos últimos anos, é impensável. Mas eles estão ali, diariamente, nos seus respectivos apps, devidamente baixados no meu iPad.

Outras incríveis comodidades incluem:

  • comprar uma edição, inclusive anteriores, a qualquer hora do dia, onde estiver;
  • ler os jornais da sua cidade pela manhã, em qualquer lugar do mundo;
  • é possível baixar tudo e depois ler no vôo, com o iPad em modo avião;
  • fim dos dedinhos sujos de jornal! (a esposa Cris Ikonomidis gosta particularmente desta).

A única desvantagem (em relação ao noticiário online, não ao jornal de papel, diga-se) é a maior dificuldade de compartilhar ou guardar notícias para ler depois. A única maneira é fazer “screenshots” das matérias. Nada de outro mundo, mas um pouco mais complexo que o simples botão “compartilhar” do sistema da Apple.

Minha dica é explorar, na lojas de aplicativos, os vários jornais e revistas disponíveis, inclusive estrangeiros. Há grandes pérolas. Muitos oferecem até edições grátis — a Veja São Paulo, por exemplo, pode ser baixada de graça toda semana, não é incrível?

Há, também, muitos aplicativos que funcionam como uma espécie de banca virtual. Destes, o meu preferido é o Zinio, que dá acesso a uma infinidade de revistas, inclusive algumas das melhores do mundo em sua categoria, e até umas poucas brasileiras. O mais interessante é que o Zinio oferece, toda semana, textos gratuitos de algumas dessas publicações. Sempre que tenho algum tempo, passeio por lá e às vezes até compro a revista.

É graças a esses aplicativos que tenho o prazer de convenientemente reclinar a poltrona e “folhear” minha enorme pilha de jornais e revistas. E assim encerro esta série na qual compartilhei, a quem interessar pudesse, meu particular sistema de consumo de notícias.


Originalmente publicado no blog de Juliano Nóbrega