Júlia Ponciano
Nov 1 · 3 min read

Hoje fui à psicóloga e fazia tempo que não voltava lá.

Não foi fácil aguentar tudo sem ter um especialista com uma visão além para me ajudar em tudo o que aconteceu. Não foi e nem está sendo fácil lidar com morte, afastamentos sem aviso prévio, inseguranças e pessoas que fazem de tudo para te ver cair. Mas mesmo assim, com muita força eu sigo. Chorando um pouco ali, dormindo e comendo compulsivamente lá mas sigo…

Só que hoje, foi diferente.

Eu precisava dela. Precisava sair dessa preguiça e comodismo.

Depois de uma noite mal dormida aos prantos por ceder mais uma vez às inseguranças decidi que no outro dia ia sem falta e cedo de preferência.

Precisava que ela me dissesse as coisas incríveis que ela diz e que fico refletindo na semana. Precisava que ela procurasse uma explicação, sei lá, me ajudasse dizendo coisas que eu meio que já soubesse no meu interior mas que queria ouvir dela. (Lembrando que não estou banalizando a ciência Psicologia) Precisava dela. Daquele olhar doce e acolhedor que só ela possui.

Porém, em uma simples consulta isso não aconteceu.

Pela primeira vez senti meu tempo sendo perdido e que justamente ela não estava sendo capaz de me entender ou talvez nem se esforçando. Normal, a gente geralmente (ou melhor, eu geralmente) tendencio uma responsabilidade ou situação minha em outra pessoa. Não seria tão diferente agora mas eu não estava acostumada a ter aquele tipo de abordagem. Ela ouviu minhas situações e deu respostas e caminhos tão óbvios e breves que me assustei por ela estar sendo tão precisa. Me assustei por ela estar até parecendo querer que eu fosse mais prática. Mal eu sabia que aquilo foi uma incrível aula para meu ego.

E porquê digo isso?

Digo isso porque eu precisava dessa abordagem para entender que somente EU sou responsável por minha cura. A psicologia é um auxílio. Os amigos e familiares são um auxílio. Tudo que é externo é um auxílio. Óbvio para alguns e necessário para outros como eu.

Eu precisei passar por uma experiência como esta para entender que o quão perigoso é depositar tantas expectativas e seguranças em alguém. E não a culpo porque no momento ela estava dando o seu máximo para me atender da melhor forma mas, mais uma vez EU não estava disponível para compreender o óbvio.

A cura está dentro de nós mas não é simples a encontrar. Precisaremos pasaar por espinhos, ervas venenosas e muitas quedas para encontrar mas ela continua no mesmo lugar e ainda com o privilégio de termos um guia que muitas vezes menosprezamos chamado intuição, sim, aquela que geralmente eu digo que é paranóia.

Temos uma imensidão dentro de nós que aos poucos foi se perdendo com o mundo mas ainda existe e somente nós, essa figura tão vulnerável, podemos embarcar e seguir nessa jornada.

Enfim, só quero agradecer a essa incrível mulher que mesmo me deixando muito frustrada hoje me trouxe uma incrível lição de autoconhecimento. E pedir desculpa por não estar tão atenta depois da aula de hoje a ponto de ter não percebido isso antes de me frustrar igual uma criança mimada.

Espero que me perdoe se decidir ler…

    Júlia Ponciano

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