Nov 7 · 2 min read
Capítulo 3
- Eu fui ao chão e o celular caiu comigo, escorregando de minhas mãos. Eu não conseguia entender o que realmente estava acontecendo, nada fazia sentido, as memórias invadiam minha mente de uma maneira tão intensa que me deixaram cego. As lágrimas escorriam sem controle. Nada, absolutamente nada daquilo parecia real, eu estava preso em um pesadelo sem fim. Minha cabeça girava. Eu comecei a tremer, o ar já não entrava em meus pulmões. Entrei em crise, tudo foi ficando escuro, lentamente, enquanto eu sufocava. Talvez eu estivesse morrendo. Ouvi meu nome. “Joseph?” eu conhecia aquela voz. Estava cada vez mais escuro, girando... a voz ficou mais fraca... “Clarie...”
- Acordei e não estava mais no banheiro do quarto, nem em casa, estava num lugar escuro e vazio, levemente frio. Levantei e comecei a andar sem saber onde iria chegar, o barulho dos meus passos eram como se estivesse pisando em poças d’agua. Poucos passos depois encontrei uma pilha de polaroides no chão, exatamente iguais às que estavam no mural da casa de Clarie. Peguei-as e olhei uma por uma, lentamente. Todas eram exatamente iguais as do mural, mas uma delas em especial me chamou atenção, uma praia cinzenta, eu e Clarie de mãos dadas, a memória veio como uma bala.
- ‘Lembro-me de uma viagem que fizemos. Fomos para uma praia, em um dia de inverno. “Clarie, você é totalmente louca. O que vamos fazer numa praia, com esse puta frio?” Ela arregalou seus olhos castanhos, deixando-os ainda maiores do que de costume e falou em um tom mais empolgado que ela conseguia no momento: “Joe, essa é a graça da coisa. Não vai ter ninguém lá, teremos a praia só para nós! Aliás, eu trouxe a câmera, podemos tirar várias fotos e...” Eu a interrompi: “E fazer um ensaio sensual, um nude artístico seu, o que acha?” Recebi tapas. “Você é uma péssima pessoa sabia? Um namorado horrível.” Ela ainda me batia. Entre estrondosas gargalhadas, eu tentei consertar tudo: “Porém eu sou um ótimo motorista, se continuar me batendo assim, talvez eu não consiga manter isso dessa forma...” Ela riu e chegamos a conclusão de que eu ganhei aquela discussão. E enquanto eu observava ela rindo, olhando para a paisagem que corria janela a fora, senti que ganhei a garota também.

