Consolos da vida.

Ninguém é substituível, a verdade é essa. Não importa quanto tempo passe ou quantas pessoas você conheça. Em 7 bilhões de pessoas no mundo, não existe alguém apto a ser igual ao outro. Felizmente ou infelizmente, fomos formados na faculdade do “seja você mesmo” por menos autêntico que cada um pareça ser. Somos um misto do que se aprendeu, por mais que alguns aprendizados tenham sido impostos. Porque, no fim das contas, os próprios medos, desejos, anseios e atos nos formam, mesmo que gente seja muito mais que isso. Não adianta fugir, o dia-a-dia é repleto de encontros e desencontros. Alguma hora teremos que lidar com alguém que chegou na nossa vida, deixou suas marcas e foi embora, sem nem dar satisfação. É aí que nos reconfortamos com aquela famosa frase “o tempo cura tudo” e “todo mundo é substituível”. Quando eu escuto isso sinto até pena do tempo, que tem responsabilidade de curar tantas mazelas do mundo. E quanto à substituição, é verdade, você pode até colocar outra pessoa no cargo de amigo, pai, mãe, namorado e professor. Mas ninguém vai falar das mais bizarras teorias, como seu amigo fazia. Ou fazer aquela piada super sem graça no jantar, que todo mundo ria, mas ninguém entendia, como seu pai. Ou te ligar mais de 15 vezes no mesmo dia só pra saber como você está, igual sua mãe. Ou dar aquele esporro na turma e descontar tudo na prova, como seu professor. Cada um com suas particularidades, claro. Você pode discordar de tudo um pouco, ou de um pouco de tudo. Afinal, acreditar que os indivíduos são passageiros é reconfortante. O meu grande problema com isso tudo é que as pessoas vão embora, mas ficam eternas dentro de mim. E, se são as circunstâncias da vida que ditam quem somos, talvez eu já nem seja mais eu mesma, mas uma soma de afetos que se perderam por aí, por causa do tempo, por causa dos outros. Quem sabe?