A Sabedoria Que Vem do Coração

Trago-vos hoje um pouco, uma pequena gota da sabedoria do Grande místico Rumi do século XIII. Inicio com um Conto extraído da obra metafísica, o Mathnavi e depois um pequeno complemento dos ensinamentos que este Grande Ser nos trouxe.
Existem histórias que são atemporais e esta é uma delas, apreciem!
“Os chineses declararam ao Sultão: …
Somos os melhores artistas.
Os gregos responderam: Nós temos algo mais.
Vou pô-los à prova — disse o Sultão — e verei assim quem de vocês confirma sua afirmação.
Designe-nos um quarto e outro aos gregos — disseram os chineses.
Ambos os quartos achavam-se frente à frente, porta com porta: os chineses tomaram um dos quartos e os gregos o outro. Os chineses solicitaram ao Sultão uma centena de cores. O digno monarca pôs o tesouro à disposição deles e cada manhã os chineses recebiam, graças a generosidade dele, o seu quinhão de cores.
Nenhum matiz ou cor é adequado ao uso no trabalho, disseram os gregos. Tudo quando precisamos é livrar-nos da ferrugem. Dito isto começaram a polir.
Existe uma passagem que vai do multicor ao incolor; a cor é como as nuvens, o incolor é como a lua. Pode estar certo que todo esplendor e radiação que se vê nas nuvens provêm das estrelas, da lua e do sol.
Quando os chineses terminaram seu trabalho, começaram a bater tambores de alegria. O Sultão entrou e viu as pinturas e diante de tal espetáculo ficou deslumbrado. Em seguida, avançou para o quarto dos gregos, que abriram as cortinas, deixando ver o reflexo das magistrais obras chinesas sobre as paredes que limparam e livraram da ferrugem. Tudo quanto o Sultão vira no quarto dos chineses aparecia aqui mais belo, de tal modo que os olhos lhe saíam das órbitas.
Os gregos, meu pai, são os Sufis, disse o Principe: Sem repetições nem livros, limparam seus peitos, deixando-os livres da ganância, da cobiça, avareza e malícia. Essa pureza de espelho é sem dúvida a do coração, que recebe imagens inumeráveis. O reflexo de cada imagem quer sejam ou não numerosas, resplandece por sempre desde o coração e qualquer nova imagem que recebe mostra-se dentro dele, livre de toda imperfeição. Aqueles que poliram os corações encontram-se livres do aroma e da cor e em todo instante estão diante do belo.”
A profundidade do misticismo de Rumi dá uma imagem poderosa do homem desperto (… aquele que está pleno e presente na maior parte dos momentos em sua vida — meu comentário…), “além da religião, além da heresia, além do ateísmo, além da dúvida, além da certeza.” A última é a terceira de três etapas, explica Rumi. Ele as contas assim: primeiro o homem venera os humanos, as pedras, o dinheiro ou os elementos; segundo venera a Deus e terceiro já não diz “eu venero, eu não venero”.
Rumi adverte e aconselha o homem a que procure o conhecimento de si mesmo e aplique a seu eu não refinado uma crença ou um sistema que o conduza à realização de seu destino. Um dos modeladores permanentes da consciência do homem é o Amor. Diz ele: “O gênero humano tem uma insatisfação, um desejo e luta para realizá-los através de toda sorte de empreendimentos e ambições. Mas esta realização, ele só pode encontrar no amor, devendo usá-la, no entanto com cuidado porque o fogo que esquenta também queima”.
Ele previne constantemente contra o apego ao exterior: “Ama menos o vaso e mais a água”.
Que todos nós possamos Amar mais a água do que o vaso! Tenham uma ótima semana… Já a temos!!! Está feito! Namastê!
Julio Barbosa
