Comer carne não é racional
O difícil certo ou o fácil errado?
Este é um texto introdutório sobre o motivo da exploração animal não ser um hábito que pode ser considerado racional, visto que fere a ideia de liberdade e traz empiricamente malefícios sociais. Para uma abordagem mais completa são sugeridos textos e livros dos seguintes filósofos: Gary L. Francione, Tom Regan, Sônia T. Felipe, Heron José de Santana Gordilho, entre outros.
Ainda que as pessoas atestem que comer carne é um hábito natural isto não confirma a racionalidade de tal ato, não podemos converter atos naturais em atos morais se estes forem destrutivos, desta forma não é necessária uma grande análise para perceber que comer carne, e consumir animais de uma forma geral, deixou de ser moralmente aceitável e se deixou de assim sê-lo é irracional continuar preservando tal hábito.
Duas perspectivas objetivistas são fundamentais para a compreensão de tal ideia, a ética e a ‘social’. Vamos a elas:
1 — Perspectiva Ética: Liberdade Individual
Qualquer pessoa é completamente capaz de perceber que animais são indivíduos — no mínimo os mamíferos, aves, répteis, aves, anfíbios e peixes —, a maioria deles tem, provindo de seus sistemas nervosos, características que fazem-nos concluir isto: Sociabilidade, senciência e preferências subjetivas. Claro, é possível fazer todo um malabarismo — como tentou Yuri Grecco do canal ‘Eu, ciência’ — para negar tais características e consequentemente tentar destituir os animais de valor, no entanto devemos neste caso usar um princípio de razoabilidade somado a ética do cuidado ao invés de tentarmos sustentar ideias absurdas e irrazoáveis.
Ainda que neguemos que animais são seres como nós a ética provinda de teorias morais mais atuais nos leva a crer que animais são pacientes morais pois sentem dor. Sabemos que a dor é uma característica intrinsecamente indesejável, portanto má, então evitar ela baseia a grande maioria das teorias morais, logo é objetivo que consideremos ela como um fator relevante e não só aos humanos, pois se limitamos apenas aos humanos acabamos por não respeitar um padrão ético de generalidade porque apelamos a alguma característica arbitrária — como a forma humana ou a capacidade lógico-matemática — para a defesa da moralidade, ou seja, criamos uma hierarquia insustentável, isso revela à nós que o antropocentrismo — como perspectiva moral — é como é qualquer ideal que permeia o separatismo como o racismo, o sexismo, etc, ou seja nesta perspectiva assim como qualquer subjugação de indivíduos humanos qualquer exploração animal — desde o consumo de carne, vestuário, esporte pois tais usos são de fato desnecessários em sociedades que já abandonaram a subsistência, até mesmo a experimentação científica é combatível, pois fundamentalmente infere-se valor intrínseco aos animais que utilizamos para nossos fins — pode ser considerada imoral e, portanto, irracional.
2 — Perspectiva Social: Catástrofe Ambiental
Os dados empíricos nos mostram a indústria da carne é uma catástrofe, ou melhor dizendo, atualmente é a indústria mais destrutiva do planeta. (veja os dados aqui: http://www.cowspiracy.com/facts/)
Continuar a colaborar com isto, financiando de forma direta a continuidade deste sistema insustentável, nada mais é que fazer parte do problema. Isto levanos a perguntar:
O que há de racionalidade em fazer parte de um problema e não de uma solução?
Conclusão
O mínimo que se deve fazer para se chamar de racional é estar a par dos problemas sociais da sua época e buscar a solução para eles, é emergente que abandonemos hábitos de consumo exploratórios e desnecessários e maléficos, portanto, adotar o veganismo (que é o abandono de qualquer exploração animal na medida do possível), uma medida totalmente sustentável, é a perspectiva mais racional. Sugere-se que deixar de comer carne é um bom início — ainda que tal redução não elimine o problema.
Indo além da questão puramente prática do ambientalismo é possível ver que a ética sugere que aqueles que são humanistas tornem-se animalistas, mas a irracionalidade antropocêntrica pode os levar a um conservadorismo e um apego a teorias morais retrógradas.
No mínimo aqueles que se dizem inteligentes e racionais devem aceitar os fatos ao invés de convergirem forças para sustentar seus hábitos egoístas
O caminho da racionalidade é o mais difícil mas também o mais correto. Por um mundo racionalista animalista secular, o antropocentrismo moral já foi superado.