Vila Marlene

2015! 
O ano que o Brasil descobriu que trafegar no acostamento e ter carteira da UNE aos 40 não é legal.

Moro em uma rua bastante singular. 
Meu sobrado alugado é semelhante a vários outros. São suficientes pra se viver com dignidade.
Mas há habitações para todos os bolsos.

Exatamente na minha frente, do outro lado da tranquila rua, a casa do dono da melhor padaria da cidade. É consideravelmente ampla. Imagino que a garagem comporte uns 6 carros. Nela vive apenas um casal. Assim como na minha casa.

Tem também um (único) prédio, bem moderno. E caro. Na frente dele, a casa de um rapaz que é catador de lixo. Um sobrado maior que este que ocupo com minha mulher. Só que mais judiado. Assim como o catador de lixo, em relação a mim. Nós dois usamos a bicicleta para nos deslocar para trabalhar.

A Vila Marlene conta ainda com um comércio que é completamente integrado ao ambiente residencial. O Bar do Bosco, a Padaria Levi, o Salão do Gordo e do Paulinho, o Kazu, o Bar do Zé, o Mercadinho do Eduardo. Sei o nome dos funcionários. Cumprimento as pessoas. Seu Luís e o alemão,que sempre late. Dona Alba, Moacir.

Pessoas honestas. Diversas. E que muito provavelmente já trafegaram no acostamento ou tiveram carteira da UNE um dia.

Outro dia tinha crianças brincando de queimada na minha rua. Ou esconde-esconde, talvez.

Segue a vida. Segue o jogo.

Feliz 2016!

Que o mundo seja mais como a Vila Marlene.