Eu não prometo nada

Oi 2018. Eu confesso que pensei em escrever seu nome por extenso ao invés de usar esses números frios: dois, zero, um, oito. Que falado até soa promissor, mas escrito fica meio frio, impessoal eu diria. Colocar o seu nome de maneira escrita por completo, Dois Mil e Dezoito, com o começo de cada nome propriamente em maiúsculo, como manda o figurino, seria mais educado de minha parte e até iria dar uma ar humano, ou até quem sabe imtimo, em nossa relação. Mas acabamos de nos conhecer, e com apenas 24 horas de convívio — eu e minha mania de tratar os números como apenas números, como se os 3 semestres de exatas não tivessem nos aproximado — não quero forçar essa "intimidade". Se bem que seremos obrigados a conviver 365 dias juntos, grudados, assim espero — trezentos e sessenta e cinco dias.

Voltando ao assunto, espero que durante esse nosso convívio eu consiga ser mais linear nos meus diálogos. Olha ai, já ia me perdendo mais uma vez… Peço que repare no uso da palavra espero, ao invés da famigerada prometo. Sabe o motivo dessa escolha? É muito simples, eu te explico. Nesse nosso relacionamento eu prometo não prometer nada! Deixei escapar mais uma vez, era para empregar o espero, mas ainda estou me acostumando a ideia. Vamos lá, a ideia.

É nessa época do ano que todo o mundo, todos nós, as pessoas no geral, produzem uma lista de desejos para serem concretizados nesse caminho que tende a perdurar por mais ou menos 8760 horas. Eu, em um ato de protesto, ou melhor, auto defesa, me recuso a fazer essa lista.

Oras, quem me garante que o Júlio de Janeiro seja o mesmo Júlio de Março? Ou pior, quem me afirma que o Julio de Abril não irá se confundir com o Júlio de Julho? São muitos Eus, digo, nós, Júlios para administrar. São muitos um metro e oitenta e oito para compactar numa lista. No melhor dos casos ainda seria um "Metas para 2018.zip". Tudo compactado e imutável, preso numa listagem feita com BIC azul num guardanapo sujo. Entende? É um peso grande para o Júlio de Janeiro ainda com sintomas das bebedeiras de Dezembro. Do antigo Dezembro, lá de dois mil e dezessete.

O que eu quero dizer é que não quero engessar o meu dois mil e dezoito. Deus me livre, qualquer coisa me livre de ficar prezo em mim mesmo. Já imaginou? Você preso, por você, em você mesmo. Que me desculpem os listeiros de plantão, mas essa visão me parece no mínimo angustiante.

Eu entendo a importância das metas. Corporações inteiras, capazes de produzir uma quantidade exorbitante de dinheiro — e frustrações — por metro quadrado só fazem o que fazem graças a meta. Meta, linha guia, o apoio, o escoro das motivações. Até arriscaria dizer que uma meta é o apoio para o próximo impulso, o próximo salto. Quitei o carro, agora força pra perder os 5 quilos, pronto! Agora é juntar o dinheiro pra Miami, feito! E a cada check a mais na listinha as pessoas se sentem mais próximas do objetivo final. Da meta final. Da meta que foi feita lá em Janeiro, lá no começo.

Talvez as pessoas das listas estejam certas, sabia? Mas eu não quero prometer nada. Eu já prometi que não prometeria mais nada. Prometi que seria livre de metas agora.

E agora?

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