PROFECIA INDÍGENA

Num paraíso imaculado antes de nós, há muito distante no tempo
A natureza rege harmoniosa os prodígios de seus elementos
Tudo tem um propósito, nada morre sem renascimento
A vida é eterna de bicho pra bicho na honra do alimento
Então a criatura dotada de sonhos, fazendo uso de nobre talento
Fantasia o natural com vaidades supérfluas, cria novos tormentos
Destrói terras próprias, consome o redor até seu esgotamento
Adoece a vida que leva em prol de conforto e desenvolvimento
No choque entre estes dois mundos, perde o inocente, ganha o violento
Reencontrar o elo perdido globaliza a ganância, não o arrependimento
Um ser escravizar o irmão, mentir, roubar, impor sofrimento
Só é superior na sua visão egoísta da vida sem discernimento
Resta pouco do povo original, segundo o invasor menos de um por cento
Vive de favor no local que já lhe pertenceu antes do “descobrimento”
Pode ser cruel ou revoltado, vingar tamanho descontentamento
Mas sua essência é generosa, preza a vida como ensinamento
Quem me dera ao menos uma vez sonhar a esperança para este momento
‘Um velho pajé de uma bela tribo roga a Tupã um sinal pro seu alento
Seu deus, que é outros três, profetiza a comunhão entre seus rebentos
Quando homem branco com nome de índio praticar a vida com desprendimento’
