PROFECIA INDÍGENA

Jotagá Caramuru
Jul 25, 2017 · 2 min read

Num paraíso imaculado antes de nós, há muito distante no tempo

A natureza rege harmoniosa os prodígios de seus elementos

Tudo tem um propósito, nada morre sem renascimento

A vida é eterna de bicho pra bicho na honra do alimento


Então a criatura dotada de sonhos, fazendo uso de nobre talento

Fantasia o natural com vaidades supérfluas, cria novos tormentos

Destrói terras próprias, consome o redor até seu esgotamento

Adoece a vida que leva em prol de conforto e desenvolvimento


No choque entre estes dois mundos, perde o inocente, ganha o violento

Reencontrar o elo perdido globaliza a ganância, não o arrependimento

Um ser escravizar o irmão, mentir, roubar, impor sofrimento

Só é superior na sua visão egoísta da vida sem discernimento


Resta pouco do povo original, segundo o invasor menos de um por cento

Vive de favor no local que já lhe pertenceu antes do “descobrimento”

Pode ser cruel ou revoltado, vingar tamanho descontentamento

Mas sua essência é generosa, preza a vida como ensinamento


Quem me dera ao menos uma vez sonhar a esperança para este momento

‘Um velho pajé de uma bela tribo roga a Tupã um sinal pro seu alento

Seu deus, que é outros três, profetiza a comunhão entre seus rebentos

Quando homem branco com nome de índio praticar a vida com desprendimento’

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