Desabafo

Cara, não sei o que houve mas, só li seu e-mail hoje.

Enfim, passei uns dias no meu limite, e creio que tô aumentando ele, o que particularmente não acho bom, pois parece que vivo para suprir as expectativas que criam em cima de mim, enquanto as minhas reais necessidades jamais são supridas, e juro não tô sendo egoísta.

E porque não acho algo bom aumentar o meu limite? Porque, provavelmente minha energia não é infinita, e eu vou ter que ficar vivendo pra suprir expectativas alheias, e vivendo pra aumentar o meu limite, e nos dias que eu não conseguir aumentar o limite e explodir, eu vou ser chamado de esquentadinho e de pessoa que não sabe controlar a minha raiva.

E vai doer ouvir isso! porque eu vou ouvir isso de pessoas muito próximas a mim, pessoas que falaram “eu vou estar aqui sempre contigo” e “pode me contar tudo, eu não vou te julgar” mas a realidade ela costuma ser muito mais dura do que qualquer romance ou filme que a gente assista.

Se a minha vida fosse obra da ficção eu com certeza já estaria sendo feliz com alguém, como eu fui a uns meses atrás, mas a felicidade no mundo real se resume a uma montanha russa com altos e baixos, e por mim tudo bem também.

Mas, o que suga toda a minha autoestima e vontade de viver, é ver que a pessoa a qual eu compartilhei mil coisas, agora tá fazendo outras um milhão de coisas sem nem ao menos demonstrar que sente minha falta, e isso me leva a pensar “será que ela realmente sente minha falta?” ou “será que ela se importa mesmo comigo da maneira que diz via mensagens”

Não importa mais, já tô aqui de novo vivendo pelas expectativas que eu também crio, pois sou a droga de um humano. Junto as expectativas que as pessoas tem e as que eu crio, e fico paradoxalmente preso nessa realidade paralela que não representa nem 1% do que eu gostaria de ser.

As pessoas querem ser bem sucedidas em tudo, e eu tô cansado do esterótipo de pessoa bem sucedida, porque ele não me representa e nunca vai me representar. Eu sou naturalmente impulsivo e ansioso crônico, eu não consigo focar em algo quando esse algo não me interessa, eu não leio livros que não me chamam atenção e não assisto filmes que não querem me dizer nada desde a Sinopse.

Acho que estou numa eterna busca de coisas que me preencham e me transbordem de sentimento, mas eu tô querendo demais, tô querendo que eu seja constante em um mundo inconstante, eu quero o impossível em um mundo onde só cabem coisas possíveis.

Mas, é isso mesmo. Certa vez me disseram que felicidade é questão de ser, de estar, de sentir. Dessa forma, eu posso concluir que felicidade é questão de condicionamento? Eu tenho que me condicionar a ser/estar feliz, quando eu perdi quem eu amo? quando eu perdi meu emprego? quando eu não passei naquela prova? quando todo mundo passa fome menos eu, então eu tenho que ficar feliz por não ser tão fodido quanto outras pessoas? Você entende o Nilismo por trás disso tudo?

Eu mesmo não entendo.

Desculpa, pela crise.

Todo o amor que houver nesse mundo, se não der pra criá-lo ou se não der pra ganhá-lo, que pelo menos eu tenha dinheiro pra comprá-lo.

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