Brisas

Sei que minha existência dura o tempo de um sopro, deixa a marca de uma sombra, ocupa o espaço rarefeito de um mero vapor d'água.
No entanto, mesmo enquanto brisa, sinto: amo, detesto, regozijo, sofro, gozo, agonizo.
Este pedaço de nada que nasce, cresce, fenesce e desaparece / como se nunca houvera existido.
Experimento, aprendo, percebo, aprecio, ou ignoro, desconsidero, desprezo, descarto.
Causo como consequência de inúmeras outras causas. Resulto como causa para inúmeras outras consequências.
Mas nada disso importa. Tudo que sou é vazio. Não daria pra preencher a metade de um mísero micron.
Tal como o universo inteiro jamais daria conta das profundezas do oceano que me habita.
Cães dormindo à beira da estrada, assim como gatos espreguiçados na janela, sabem tudo isso.
Desconfio, apenas, sem qualquer vestígio de embasamento para tal, que joaninhas sim, sejam eternas.
Zartos@2019
