Pieguice, paixão e música

Todos nós conhecemos essa sensação. Ou não. De qualquer forma, todos nós, em algum momento da vida, vamos nos deparar com ela e ser devidamente apresentados. É aquela sensação tão exaltada pelos livros, pelos filmes, pelas idealizações cotidianas.

De repente, falta o ar, você se sente em êxtase, com borboletas no estômago. Os olhos brilham, a boca parece estar sempre prestes a se curvar num sorriso de satisfação. Você respira fundo, fecha os olhos, tenta se sentir preenchido pelo oxigênio e pela atmosfera. Há um calor em seu peito e una vontade de abraçar o mundo. Maravilha, fascínio, entusiasmo, alegria, catarse.

São sintomas parecidíssimos com os que temos quando sofremos daquela doença. Aquela mesma, a doença da paixão. Ou, melhor dizendo, o nascimento de um “vir a ser” amor, que nos preenche por dentro e nos faz ter necessidade do colo da pessoa amada. Se eu dissesse, nas sentenças seguintes, estar apaixonada, vocês não se surpreenderiam.

Mas o plot twist vem agora. Nos últimos tempos, esses sintomas estão associados à minha relação com a música e com as experiências estéticas que vivo graças a ela. Não foram poucas as vezes que shows, concertos e álbuns me fizeram sentir tal entusiasmo. É uma sensação impossível de descrever em sua plenitude. Sei que às vezes sinto a música me invadir como quem toma uma dose de tequila, como quem sente pela primeira vez os efeitos de uma droga invadirem todos os cantos possíveis do corpo. É um amor muito grande. Fico até espantada com o tamanho desse sentimento.

Então, dou a mim mesma um diagnóstico meio torto: sou uma pessoa permanentemente apaixonada pela música. Invariavelmente apaixonada. Hopelessly devoted. Paixões físicas vêm e vão, mas o calor que sinto no peito quando me envolvo com uma canção é eterno.

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