Deadpool e a Geração do Mimimi

Antes que você comece a ler este texto me odiando, vou deixar claro aqui no primeiro parágrafo que eu sou contra a rotulação da “geração do mimimi”, mesmo não me considerando dessa tal geração, mas acredito que há sim uma parte dela que “problematiza” em troca de fama na internet.

O “mimimi” em questão, diferente do “me me me” do inglês “eu eu eu”, se refere a reclamação exagerada, à chateação por quase nada, ao overreacting sobre uma situação qualquer. Mas espera, quase nada pra quem?! A quem cabe avaliar o tamanho da reclamação pertinente a cada situação de cada um? Exato, a cada um. 
Cada um sabe o tanto que as coisas atingem e interferem na sua própria vida, o quanto se ofende e o quanto quer ou pode fazer alguma coisa pra mudar isso, certo? Certo.
Mas isso não parece se aplicar sempre. Na internet parece ser comum indivíduos querer levantar a voz por multidões, minorias ou não.

Peguemos por exemplo o racismo. Eu, branca, nas ~regras da internet~, não poderia jamais, em hipótese alguma, por nenhuma razão, falar sobre racismo. Nem pra defender. Não. Nunca. Nãnã. Never. Por que? Oras, porque eu nunca senti na pele, eu não sei como é, e só de olhar eu não poderia jamais imaginar que é uma coisa ruim… E qualquer opinião que eu desse sobre isso seria imediatamente desvalorizada por quem realmente sofre com isso. Justo? Justo… Se não fosse pelo fato de que eu só não posso falar sobre isso como se falar, atraio um ódio pra mim que eu com certeza não quero e não preciso.

Essa última semana com a estréia do filme do Deadpool nos cinemas, ficou fácil notar o sensacionalismo e a divisão de lados que a internet se coloca cada vez que um assunto popular novo surge.
No Twitter (e em outras redes sociais também), uma enorme parte da internet se revoltou com tanta piada machista, racista, egoísta, petista (rs), que o filme trazia. Mas daí fica a dúvida, não foi Deadpool sempre assim?! 
Desde 1991, quando apareceu a primeira vez nos quadrinhos, a força do Deadpool vem do seu sarcasmo e humor fora da curva, ele é um dos poucos personagens que tem a consciência de que é um personagem e lida com isso da melhor maneira possível, com humor.

“Ser sempre assim”, não livrou o Deadpool dos julgamentos e avaliações de revolucionários de plantão. Que certamente estavam com seus dedos loucos no teclado prontos para, por trás da segurança de seus monitores, desenrolar em forma de textão de protesto o quanto o filme e o personagem são absurdamente errados e fazem do mundo um lugar muito pior por colocar um indiano como motorista de táxi.

Mas calma, indianos não podem dirigir táxis? Mulheres negras não podem envelhecer e ficar cegas? Adolescentes não ficam com o celular o tempo todo nas mãos? Todas essas coisas são possíveis.

Mas daí entra a tal da “geração mimimi” com mil textos politicamente corretos dizendo que Deadpool é um filme errado. Um personagem errado. Num mundo errado.

Será que todo mundo se esqueceu que é um personagem fictício, num mundo fictício? E é aí que eu abro a discussão: nós só poderemos ter personagens politicamente corretos, éticos e 100% honestos daqui pra frente?

Será possível criar uma forma de entretenimento que ninguém se ofenda?

Deadpool foi uma história de um super-herói bem contada e bem podada para as telas já, mas ainda houveram os que o crucificaram por ser apenas o cara de vermelho, sendo que, grande parte da massa que se “ofende”, se encaixa naquela que sofre pelos outros e não por si mesmo.

Enquanto a mim, bom, eu espero ansiosa por um Deadpool 2 e a esperança de que mais assuntos sérios sejam levados a sério e menos problemas sejam diminuídos. 
Que a “geração mimimi” coloque a mão na consciência e pare de problematizar pra ganhar like e realmente comece a fazer a diferença no mundo.