Hoje não

Acordar e sentir que se vive em uma rotina da qual não se pertence é aniquilador. Estar infeliz, porém satisfeito — bem, esta não é a palavra mais adequada — financeiramente é uma morfina que mascara os reais ideais.

Confesso que o último lugar que me imaginaria com a idade que estou é onde estou. Irônico, né? Alguns irão dizer que a graça da vida é essa, a tal da imprevisão… Pode até ser, mas um planinho sempre é bem-vindo, não é mesmo?

Pode soar prepotente e até mesmo tosco, mas eu gosto de ter as minhas coisas sob controle, saber o que rola e organizar o beabá dos meus trilhos. Mas querer controlar a vida e seus meios é um tanto quanto… Difícil? Grandioso? Ridiculamente além de nós? Nem mesmo para os mais sábios. Gabriel García Márquez escreveu sua obra de maior destaque com quase 40 anos. Malala Yousafzai quase perdeu a vida aos 15 por lutar pelos seus direitos.

Sim, são exemplos fora da caixa, em datas e formas distintas, mas com o mesmo fim: pessoas que arriscaram e acreditaram no poder das palavras e das ações. Isso que eu chamo de clímax, meus amigos!

Não que eu queira saber quando vai acontecer o momento mais tchã da minha vida. Mas, acordar querendo descobrir se, de fato, estou fazendo o certo (hã?), se minhas escolhas foram corretas (oi?): eu QUERO (quê?). Porém, também acredito que é PURA BABAQUICE E SUBJETIVISMO, ou melhor, pura subjetividade babaca. O poder da auto tortura é muito louco, né? Talvez uma das coisas que mais tenho bom desempenho.

Minha amiga sempre me diz “Você gosta de sofrer por antecedência. Aliás, você gosta de ter tudo sob controle, até mesmo, coisas que nem aconteceram”.

Quando a cabine de sistema foge do nosso controle é difícil manter a compostura. ¯\_(ツ)_/¯

A gente chega lá.

Mas todo esse pensamento alto possa ter surgido devido ao quinto dia de gripe e também porque estou sob o efeito das palavras de Milton Hatoum. Caraca, como ele é melancólico!

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