Ter preconceito não é um problema
Tudo parte de um preconceito, reconheça os seus e tome atitudes com relação a eles
Não é difícil ver alguém que bate no peito e diz com maior orgulho "eu sou uma pessoa sem preconceitos". Todos temos preconceitos e não há problema algum nisso. Negá-los só dificulta ainda mais combater os efeitos colaterais que eles criam.
No momento que olhamos algo, o julgamos, criamos ali o nosso pré conceito. Da cadeira a qual você está nesse momento, à primeira pessoa que lhe deu “bom dia” hoje. Após alguns segundos olhando para a cadeira você já julga se a altura é boa ou ruim, se ela resistirá ao seu peso, o material que ela é feita, a quem ela pertence e se o design lhe agrada. Com seres humanos isso não é diferente. Em questão de instantes você já julga se a pessoa é baixa ou alta, gorda ou magra, a cor dos cabelos e dos olhos e se a roupa que ela está vestida lhe agrada.
Mas atente para o fato de que o resultado do seu julgamento nem sempre é correto. Você só vai ter certeza que a cadeira vai aguentar seu peso, quando for lá, sentar-se nela e não cair no chão. Com a experiência de utilizar cadeiras, você conseguirá ter um julgamento mais preciso todas as vezes que for se sentar. Segundo o Michaelis:
pre.con.cei.to
sm (pre+conceito) 1 Conceito ou opinião formados antes de ter os conhecimentos adequados. 2 Opinião ou sentimento desfavorável, concebido antecipadamente ou independente de experiência ou razão.
Veja que as palavras-chave nessa definição não dão ideia de ação. Palavras como conceito, opinião, conhecimento, sentimento, experiência e razão dão ideia de algo abstrato e mais, algo inerente a cada indivíduo. Fazem parte de todos nós.
O problema não é ter preconceito, é transformá-lo em conceito sem antes questioná-lo.
Criamos um problema quando abraçamos um preconceito como sendo verdade absoluta, sem procurar experiências que a afirmem. Gera-se um conceito e esse irá inevitavelmente nos levar a uma ação que fere os direitos de outros indivíduos. Esta ação é o resultado de falta de conhecimento, de auto-crítica e de empatia com o próximo. Não cometê-la é um trabalho árduo, porém necessário se quisermos viver numa sociedade mais justa.
Admita seus preconceitos, busque conhecer a origem deles, questione-os e tente entender o que e quem te levou a formá-los. Essa fórmula simples de escrever e difícil de executar vale para tudo que o cerca, desde aquela comida estranha que você ouviu dizer que é ruim, até aquele movimento social o qual você leu um tweet sobre.