Ótima reflexão. Fui criado em um ambiente artístico e musical bastante variado. A agulha do toca vinil expressava situações diversas e muitas vezes conflitantes. Rolava de Cannibal Corpse à Johann Sebastian Bach; de Ramones à Zé Ramalho; de Nação Zumbi à Iron Maiden; de Black Sabbath à Gilberto Gil; de Elis Regina à Motorhead; de Led Zepplin à Elza Soares; de Tião Carreiro e Pardinho à Rolling Stones; entre outras variedades — é claro que, perante esse universo multifacetado, acabei por internalizar preferências e preconceitos; algo que me arrependo, pois deixei de apreciar várias expressões artísticas que acabei conhecendo somente em tempos mais tardios. O rock, algo que supostamente deveria ser libertador, acabou por se tornar opressor, racista, machista, homofóbico, reacionário, entre outros. Infelizmente, a estrutura da indústria cultural se tornou uma indústria com roteiro e script; que incorpora a cultura hegemônica e, literalmente, torna tragável suas posições e noções de mundo. Mas nem tudo está perdido. Há uma infinidade de bandas e artistas que, de uma forma ou outra, tentam contribuir para a existência de um movimento artístico mais engajado e menos conservador. A internet tem contribuindo bastante para a divulgação desses agentes “subversivos”. Que o planeta, e não só o meio artístico e musical, perceba a diversidade como algo amplamente benéfico e que só tem a contribuir para uma convivência mais harmoniosa.
Gratidão pelo texto.