O Imperdoável

10:33pm — Na PR (o que você não precisa saber o significado), pedi pra que me mandassem um tema ou frase que significasse qualquer coisa pra que eu pudesse escrever um texto até as 11pm.
Me sugeriram: “Algo que seja imperdoável

Você muito provavelmente não tem ideia de quem eu seja mas meu nome é Gustavo. Oi. Tudo bem? Por aqui, sim. Quer dizer, mais ou menos… É que eu fui traído.

Foram 6 anos de dedicação, sabe? Nos conhecemos quando eu tinha 17 e ela 16. Pensávamos parecido, até. Nossos rolês eram os mesmos… Ouvir do folk ao hard rock na mesma sinergia. Olhando pro teto nos sábados à tarde. A gente gostava muito disso. Sair? Ah, também era legal. Mas não tanto quanto isso.

A gente era muito parecido. Isso era perfeito. Bom, até certo ponto…

Me lembro como se fosse hoje, na formatura. Formatura dela. Rolou o baile. No baile todo mundo dança. Eu, obviamente, fiquei com ela a noite inteira. Ela tava linda. Os cabelos dela estavam mais brilhantes que nunca, pareciam uma cachoeira. Eu me sentia o garoto mais feliz do mundo. E o sorriso dela denunciava a mesma coisa. Como a gente foi idiota de achar que era pra sempre…

Meus amigos enchiam meu saco. Diziam que existia muita buceta melhor por aí. Que existiam até “muitos sorrisos melhores por aí”. Era o que eu mais elogiava nela, aquele sorriso… Puta que me pariu… Eles tentavam fazer com que eu achasse que poderia ter outras opções de pessoa pra amar além dela. Nunca acreditei. Que idiota.

Ela falava “confia em mim”. Aprendeu comigo. Eu sempre fui bastante seguro de mim, sabe? Sempre tomava à frente nas decisões, não tremia… Impassível quanto a tudo. Ela dizia amar isso em mim. Quando ela disse “confia em mim” pela primeira vez eu gelei. Tudo que a gente passou em todo aquele tempo veio em flashs na minha cabeça da forma mais bizarra possível.

Confiar… Como é confiar em alguém se a pessoa em que eu mais confiava era em mim mesmo? Por que depositar minha fé em alguém se eu me bastava? Bem… Ela me convenceu disso. E eu confiei. E doeu.

Doeu mais que perder 4 mil reais num cruzeiro que ela disse na nossa transa depois do baile de formatura que era o sonho dela porque ela adoeceu e eu já tinha pago tudo e faria uma surpresa. Doeu mais que quando ela teve de viajar e passar dois anos longe e namoramos a distância. Doeu mais que quando recebi a notícia de que ela estava beijando o Johnny, o orientador do TCC dela.

Não ligo pra chifres. Isso acontece em todo momento e com todo mundo. Mas não faz isso comigo depois de pedir pra eu confiar em você. Não usa isso como um bordão, não faz isso da boca pra fora.

Não deixa que a confiança seja realmente uma mulher ingrata que beija, abraça, rouba e mata. Não me deixa acreditar nisso.

Não, não mesmo.


E ainda faltam 3 minutos.

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