Ceci n’est pas un amour
(02–09–2018)
Hoje é domingo e eu escrevi uma história que não era bem sobre você. Mas olha só que irônico: eu apostaria que você caberia em todos os tempos verbais dela.
Aí de mim essa distância. Tanta coisa pra acontecer, tanta história boa pra contar, tanto amor pra transbordar. E essa danada insiste em se multiplicar. A vida me obrigou a senti-la, na raça.
Eu juro que não sei explicar essa mania de me apaixonar sempre pelos quilômetros. O comodismo talvez, me cutuca e me incomoda. Sabe, porque não? Tirei boa parte do dia pra pensar sobre ti, sobre nós. Comentei sobre você até pra minha mãe, acredita nisso?
Eu que sempre neguei essa dependência química, deixei que a adrenalina, a feniletilamina, dopamina, oxitocina, a serotonina e as endorfinas tomassem conta de mim, quem sabe assim há uma reação?
Tudo bem, eu sei que você não deve estar entendendo nada e se perguntando de que porra eu to falando. Vamos lá, irei te explicar. Já lhe disse incontáveis vezes que não sou muito de me prender a alguém, de me doar 100%, e coisas do tipo. Certo? (responda mentalmente)
É que é tão estranho, com você foi tão fácil. Parece até que tem algo muito errado e eu ainda não percebi. O receio anda do meu lado o tempo todo, mas quando estou com você, ele some, completamente.
Acredite ou não, mas você está me tornando um ser melhor. Ando pensando mais, criando mais empatia, sendo mais tolerante e até mais confiante de mim mesma.
O que quero te dizer, é que logo você, que vive me falando que eu sou uma pessoa muito boa, e felizmente eu tenho a alegria de poder dizer o mesmo ao seu respeito. Você é de longe o ser humano mais abnegado, mais entregue, mais engraçado e mais bondoso que eu conheço, qualidades que me enchem de orgulho, mas que também me preocupam muito.
Seu coração é puro e você nunca exita se pode ajudar alguém, mesmo que esse alguém não mereça tanto assim os seus esforços. Não é raro que se deixe de lado enquanto tenta acolher a todos em seus braços, sem pedir nada em troca, nem mesmo reciprocidade, algo que para mim é mínimo, básico e inegociável.
Você é um ser fantástico que agradeço por ter conhecido. Como você mesmo diz, eu não sei se tu apareceste na hora exatamente correta ou extremamente errada, isso só o tempo pra nos dizer. Todo coração é uma célula revolucionária, e você mudou totalmente a minha visão sobre o que é gostar de alguém.
Coração não vê distância, não vê preço de passagem, nem tem noção alguma do que seria mais benéfico ou não. Ele só gosta e ponto, e ficamos sem ter muito o que fazer. Você esta a 136 km de distâncias de mim, e meu coração aperta de saudades tuas, acho que agora entendi o que você quis dizer.
E até minha mãe, que se mostra insensível e durona durante os dias, se sentou ao meu lado e falou: “Ele volta. Triste é quando não volta mais.” Ter-te é um sentimento indubitável.
Agora, enquanto a madrugada de segunda decide entre chuva e sol, ouço musicas que as quais você odiaria e me traz o som do toca disco entre o barulho dos motores dos carros, da vizinha falando alto e da minha mente que só pensa em você.
Cheguei a conclusão que eu buscava, que esse texto é sobre amor e não sobre distâncias. Amor desses que deixa marcado na mente e só de pensarmos vem uma memória em mente. Aqueles que as vezes o estômago parece ter levado um soco quando vejo mensagem tua. Desses que balança as pétalas das flores, que arrasta na rua uma latinha abandonada riscando o asfalto, desses que quando chove você tem vontade de ir lá fora se molhar, desses que move o mundo e que só se compreende aos 30 e poucos anos. Por aqui, ele permanece.

Obrigada por existir
