Eu gosto de ti, mas sei lá.

Sei lá porque tu vais sempre embora.

Sei lá porque parece que nós nunca vamos dar certo (e sinceramente, talvez nunca dê certo mesmo).

Sei lá porque quando eu chego perto demais tu empurras-me para longe.

Sei lá porque às vezes parece que tu tens medo de precisar de mim mais do que eu preciso de ti.

Sei lá porque nós somos demasiada confusão, demasiada briga, demasiada gritaria.

Sei lá porque tu não me passas segurança nenhuma e parece que até os teus vizinhos têm-te a ti mais do que eu tenho.

Sei lá porque tu queres estar solta, não me queres pertencer, mas queres que eu esteja preso a ti.

Sei lá porque todas as vezes que eu me declarei para ti, tu ficaste sem saber o que dizer, não como se estivesses sem palavras ou emocionada, mas porque não tinhas mesmo o que falar, não tinhas nada para me dizer.

Sei lá porque ao contrário de toda a gente, parece que nós estamos melhor separadas.

Sei lá porque por mais que sejamos duas apaixonadas e coisa e tal, não nascemos para ficar de nhem nhem nhem eternamente e a trocar declarações de amor de tempos em tempos.

Sei lá porque tu tens esse teu maldito jeito brusco que afasta todo o mundo e pareces não te importar com ninguém.

Sei lá porque às vezes quando nós conversamos eu sinto que sou a última pessoa do mundo com quem tu querias trocar palavras.

Sei lá porque nós falamos demais, afirmamos demais, mas nunca saímos desse meio caminho em que nós nos enfiamos sabe-se lá quando ou porquê.

Sei lá porque não assumimos o que sentimos e de repente parece que nenhuma das duas sente nada.

Sei lá porque tu magoas-me sempre de um jeito imbecil e nunca percebes isso porque tens um ego enorme e não admites que cometes falhas.

Sei lá porque tu és toda complicada, toda cheia de si, todo com manias que eu nunca suportarei, toda tu.

Sei lá porque eu gosto de ti, eu gosto mesmo de ti, mas mesmo assim as coisas tendem a dar errado.

E sei lá porque eu não sei o que vai ser de nós, porque o nosso futuro é tão… sei lá.

-Mario de Andrade

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