11/05/2017 21:39

Eu, que sempre fui um livro aberto, me li em voz alta pra você de capa-a-capa.

Só que você decidiu que eu não era uma historia que deveria ser lida de novo com outros olhos.

Eu não sou uma historia que você está disposto a repetir, recontar, recriar. Sou aquele livro que junta poeira no canto da estante porque foi comprado no impulso quando ele ainda era novidade na livraria mais próxima, que você curte a leitura enquanto ela dura e de repente nunca lê de novo porque parei de me encaixar nos seus gostos, nos seus pensamentos, no que você gostaria de conhecer.

Deixei de ser novidade.

Me abri demais me abri demais me abri demais.

Queria ser o seu livro de cabeceira, aquele que nunca sai do canto da sua cama porque você sabe que quando chegar em casa cansado, nervoso, triste ou ansioso só vai precisar ler um capítulo meu antes de dormir pra ter paz. Queria ser aquele com a capa gasta, as letras metálicas do título desaparecendo de tanto ser manuseado, lido, usado, amado. Queria que quando te perguntassem o seu livro favorito o meu nome viesse no automático, pois seria tolice dizer o nome de qualquer outro.

Queria que me lesse de novo sabendo como é o final, queria que escolhesse esse final várias e várias vezes pois nada mais te agrada do que ele, do que como ele acaba com uma declaração bonita e floreada carregada de sentimentos que até o penúltimo capítulo os protagonistas tentavam esconder.

Queria que me lesse em braile, que tocasse cada uma das frases tentando entende-las e ficando contente por conseguir quando na primeira página isso parecesse impossível, que cada desafio de leitura fosse emocionante e vencido com vontade porque nada seria mais importante do que terminar essa leitura.

Queria que me lesse com a mente aberta e pronta pra essa leitura, não como se estivesse me comparado a cada segundo com o ultimo livro que leu ou que só estivesse me lendo porque aquele livro que sempre esteve na sua lista de desejos ainda não foi entregue pelos correios e você precise de algo pra passar o tempo enquanto espera.

Me entenda por completo e me desvende e me use. Me deixa ser o seu livro favorito, o seu clássico, o que mereça lugar de honra na prateleira de destaque e que você jamais empreste porque ele é precioso demais.

Me leia.

Quantas vezes preciso.

No ritmo que quiser.

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