16/10/2017 09:56

Cada dia é um esforço diário pra não me tornar mais uma daquelas vegetarianas chatas que só falam sobre a industria da carne e julga secretamente os coleguinhas. Eu me viro muito bem nesse quesito. Sempre soube que não é porque eu fiz uma escolha que todos a minha volta tem que fazê-la também. Cada um come o que quer e tudo bem, não é da minha conta o que eles ingerem ou os produtos e roupas que usam.

Mas esses últimos dias tem sido bem complicados pra manter essa minha calmaria e pacificidade.

Na quinta umas amigas foram lá pra casa e pedimos uma pizza meio a meio. Separei as sobras em duas vasilhas: em uma coloquei as fatias de pizza de milho pra comer depois e em outra coloquei as fatias com carne pra levá-las pra casa da minha avó. O pizzaiolo não separou direitinho na hora de arrumar a massa e tinha um pedaço de calabresa debaixo do recheio em uma fatia de milho. Eu só vi depois que engoli.

Chorei por horas… já tem alguns anos que tenho orgulho de mim mesma por ter tornado o meu corpo uma fonte de vida, mas ai com uma mordida só ele voltou a ser um cemitério. E eu fiquei sentindo aquele gosto interminável de morte e chorando o luto de um animalzinho que nunca vi e que nunca verei.

E ai hoje começa a Semana do Conhecimento da Universidade… TODAS as palestras ministradas na Faculdade de Veterinária são sobre como intensificar a produção de leite, porque levar o seu cachorro toda semana no petshop, peixes como animais de laboratório, consumo de carne, etc. Tem até uma chamada “qualidade de carne de bovinos confinados”.

PUTA QUE PARIU, CARA!

Em que ponto se tornou totalmente ok separar os animais em “fica bonitinho de lacinho” ou “vai ficar gostoso no churrasco de domingo”?

Quando se tornou aceitável ignorar todos os estudos que dizem que esses animais sofrem e sentem como os humanos? Que vacas tem melhores amigas? Que galinhas sentem dor? Em que ponto é compreensível aniquilar centenas de milhares de vidas inocentes porque você acha carne gostoso demais e não conseguiria parar de comer? Você tentou, pelo menos?

Milhares de pessoas provam diariamente que vivem, crescem e se desenvolvem bem sem o consumo de animais e seus derivados. Mães veganas criam os seus filhos na mesma ideologia e eles são crianças completamente saudáveis e na maioria das vezes até mais nutridos que seus coleguinhas de sala.

Não é justo você usar a desculpa da nutrição pro consumo animal quando todos os dias alguém é capaz de te provar que vive bem a décadas sem isso (oi, Paul McCartney!), que dá pra ser saudável sem isso (oi, Jared Leto!), que dá pra criar uma criança sem que ela consuma nada que venha de bichinhos (oi, Luisa Mell!).

Eu fico tão triste e nervosa quando me dizem que “bacon é vida” quando na real centenas de milhares de vidas foram aniquiladas pra que aquela coisa repugnante fosse parar no prato das pessoas! Mas eu nunca falo nada, eu nunca debato, eu sempre mantenho em mente “as pessoas não são obrigadas a fazer a mesma escolha que eu”… saber que a escola de veterinária de uma das maiores universidades do país se resume em ensinar formas de aproveitar mais a carne e o leite dos animais que eles deveriam proteger torna esse meu pensamento muito difícil.

Sabe, o ser humano é o pior animal de todos — pior que baratas voadoras, inclusive. E eu tenho nojo de mim mesma por saber que faço parte da mesma espécie que todos esses egoístas que não são capazes de entender que todas as vidas deveriam ter valor.

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