28/07/2017 22:54

Uma frase, uma palavra, um gesto… as vezes eu altero as minhas próprias memórias e nem sempre é intencional.

É mais fácil de conviver com aquele momento se eu fingir que ele sorriu antes de virar as costas ou me lembrar dele segurando a minha mão mesmo que ele não tenha feito isso de verdade.

No fim das contas isso afeta somente a mim, então eu não estou machucando ninguém com isso, só a mim mesma. Eu faço isso inconcientemente como um mecanismo de defesa mas agora me pergunto se realmente foi do jeito que eu me lembro da última vez que eu o vi, da última vez que o toquei, da última vez que corri até o encontro de alguém.

Talvez todos os momentos de reciprocidade que tive com as pessoas só existiram dentro da minha cabeça e eu os fiz assim pra fingir que nem sempre acabo sozinha por motivo algum. Talvez ele nem tenha dito que me amava, talvez ela não tenha pedido desculpas, talvez eles não sorriram pra mim.

Me orgulho muito de ser uma péssima mentirosa, mas isso é para os outros, eu minto muito bem pra mim mesma e por isso não confio em ninguém — como confiar em outro alguém quando não confio direito nem nas minhas próprias lembranças?

Os muros que construi em minha volta para me defender do mundo me sufocam aos poucos e me lembram que eu deveria ter construído também pelo menos algumas janelas ou uma porta no fundo pra fugir de mim mesma e da minha mente. Eu queria me proteger deles e me prendi sozinha… e no fim das contas nem nisso eu posso confiar.