28/08/2017 07:58

J. M.
J. M.
Aug 28, 2017 · 2 min read

Tenho me sentido claustrofóbica dentro de mim mesma, como se minha vida fosse uma prisão e eu não fizesse a minima ideia de onde arrumar um advogado pra me tirar daqui. É como se eu, aos meus 22 anos, vivesse de castigo e não fosse capaz de tomar minhas próprias decisões.

Estou realmente exausta de morar numa casa que não é minha com alguém que não me conhece o suficiente, de cochilar sozinha no domingo a tarde, exausta de olhar no espelho e sentir um desespero, de não conseguir ser inteligente o suficiente, de não ser capaz de criar um plano que preste para o futuro.

Mal deu tempo de ser um fracasso e eu já me tornei um.

Eu me sinto presa e cansada e sufocada e idiota e incapaz e não-merecedora o tempo inteiro, e talvez isso nunca passe porque eu realmente seja assim, e esse é o pensamento mais aterrorizante que eu já tive em toda a minha vida. Eu não queria me sentir assim, mas quando eu tento falar sobre isso eu só escuto que vai passar, que é questão de tempo… porra, porque alguém não pega na minha mão e me leva pra um lugar onde eu não sinta vontade de me machucar o tempo inteiro?

Vejo como a situação é ridícula quando a unica coisa que talvez me remeta a um lugar seguro é dentro de outra pessoa e não de mim mesma. Como eu faço pra fugir daqui? Tem alguma fórmula mágica? Tem alguma oração especial que eu precise fazer pra que tudo pare de ser tão escuro e dolorido?

Tenho tido ataques de pânico quando penso que amanhã ainda estarei aqui e não faço a minima ideia do que fazer com isso. “Viva um dia de cada vez” e “deixe o amanhã pra amanhã” de nada resolvem quando se tem crises de ansiedade tão fortes que me sinto mal de pensar que daqui a 5 horas terei que almoçar.

Eu não quero mais me sentir recuada na minha própria vida, não quero mais sentir as mesmas angustias dia após dia durante tantos anos e não saber como resolvê-las, eu não quero ter tanto medo do futuro e das outras pessoas.

A vida deve ser mais fácil quando a gente é contente com quem somos, pena que eu nunca vou ser capaz de descobrir isso também.

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    J. M.

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