HOMÃO DA PORRA!

Juliana Ribeiro
Jul 21, 2017 · 4 min read

Que porra é essa?

Rodrigo Hilbert — Foto: Divulgação GNT

Loiro, gato, rico, inteligente, casado com uma deusa.
Um super pai, filho, amigo, companheiro, profissional.
Um super homem — aliás, um “homão da porra”, pelo menos é o que vimos e ouvimos por aí, a respeito do Rodrigo Hilbert.

E quem ousa negar?

ELE e, diga-se de passagem, EU também!

- Por que, Juliana? Por quê?

Passemos para as justificativas.

[PARADIGMAS]

Se Rodrigo Hilbert fosse um adjetivo, ele poderia ser facilmente aplicado ao meu pai. Logo, fui educada por um “homão da porra” e, consequentemente, escolheria um “homão da porra” para dividir a vida comigo.

Cresci vendo minha mãe ouvir:
“- Que sorte a sua por ter o Cornel ao seu lado! Ele cuida dos meninos e de você! Te ajuda com as coisas da casa! Sustenta a família! Dá tudo que vocês desejam… Não briga! Não grita! Não bate! Não reclama! Te respeita!”

- OI?
- Oi?

Por qual motivo NINGUÉM nunca falava o contrário?

“Que sorte tem o Cornel por tê-la ao lado dele. Você cuida dele e dos meninos! Você o ajuda com as coisas de casa! Sustenta a família! Dá tudo que eles precisam… Não violenta ninguém! Você os respeita, Benevenuta!”

Vejo Elis crescer ouvindo algo muito semelhante!

“- Juliana, que sorte você tem, hein! O Jorge é um super pai! Um super companheiro! Não deixa você fazer nada! Realiza todas as suas vontades e as da Elis. Trabalha, lava, passa, arruma, cozinha, constrói, desconstrói, brinca, educa e move o mundo — se preciso for — para que vocês estejam bem… Felizes! Plenas! Lindas!”

Elis também não ouve o contrário!

“- Jorge, que sorte você tem, hein! Juliana é uma super mãe! Uma super companheira! Não deixa você fazer nada! Realiza todas as suas vontades e as da Elis. Trabalha, lava, passa, arruma, cozinha, constrói, desconstrói, brinca, educa e move o mundo — se preciso for — para que vocês estejam bem… Felizes! Plenos! Lindos!”

Não, minha gente!

Tem alguma coisa errada nisso aí.

Se existe o tal do “HOMÃO DA PORRA”, existe também o “MULHERÃO DA PORRA” — que, na verdade, são apenas indivíduos que não fazem nada mais do que aquilo que deve ser feito. São apenas pessoas que se amam, se respeitam, zelam umas pelas outras, são empáticas e ESCOLHERAM viver plenamente.

ESCOLHERAM.
ESCOLHER É LIBERTADOR.
ESCOLHER É TRANSFORMADOR.

Mas, se é só isso, por que o Rodrigo Hilbert se tornou um fenômeno? Um espécie de Deus — aclamado por elas, odiado por eles? Idealizado por elas, invejado por eles? Por quê?

[VAMOS AOS DADOS]

Poderia buscar inúmeras fontes para elencar dados, mas optei por mostrar apenas os de uma pesquisa muito recente, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ao Datafolha, e divulgada em março de 2017.

  • UMA em cada TRÊS mulheres sofreram algum tipo de violência no BRASIL em 2016.
  • 503 mulheres são vítimas de AGRESSÕES FÍSICAS POR HORA no Brasil. POR HORA! Isso representa 4,4 MILHÕES DE BRASILEIRAS. Mas, este número é ainda muito maior, porque a pesquisa só entrevistou mulheres acima de 16 anos.
  • 22 MILHÕES são vítimas de OFENSA VERBAL.
  • 5 MILHÕES ameaçadas de VIOLÊNCIA FÍSICA.
  • 3,9 MILHÕES ofendidas SEXUALMENTE.
  • 1,9 MILHÕES foram ameaçadas com faca ou arma de fogo.
  • 1,4 MILHÕES foram espancadas ou sofreram tentativa de estrangulamento.
  • 275 mil levaram um tiro.
  • 40% foram ASSEDIADAS de diferentes formas: 20,4 milhões (36%) vítimas de comentários desrespeitosos ao andar na rua; 5,2 milhões assediadas fisicamente em transporte público (10,4%) e 2,2 milhões agarradas ou beijadas sem o seu consentimento (5%).

Mas, a história não acaba por aqui e fica ainda muito, mas muito mais grave, se formos verificar os autores de tais atos violentos.

  • 61% dos agressores são CONHECIDOS.
  • 19% apontaram o próprio CÔNJUJE, COMPANHEIRO ou NAMORADO como o criminoso.
  • 16% revelaram que foram vítimas do EX.
  • 9% dos agressores são IRMÃOS, 8% AMIGOS, 8% PAI e MÃE, 4% VIZINHOS e 3% COLEGAS DE TRABALHO.

Logo, dividir os dias com um HOMEM capaz de respeitar uma mulher, zelar pela sua vida, pela sua segurança e pela a da sua família; dividir a vida com alguém que realmente saiba — sobretudo e sobremaneira —, que mulher não é saco de pancadas, que não é um ser inferior e incapaz, que deve ser respeitada; dividir a vida com um homem que faça, exatamente, aquilo que deve ser feito, inevitavelmente, irá conferir a ele o tal título estigmatizado de HOMÃO DA PORRA.

[RECADO PARA O RODRIGO]

Pois é Rodrigo, você não é mesmo um homão da porra, né! Mas, que bacana você estar provocando esse MI MI MI todo.
Que bacana!
Cozinhe, convide que vamos…
Em tempo: mande um beijo pra Fernanda e outro pros Meninos. Ah, já ia me esquecendo daquela mulherão da porra que é a sua mãe.

)

Juliana Ribeiro

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Causas femininas, feministas, humanas, igualitárias, sensíveis, inclusivas e incríveis.

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