MIGXS, MANAS, MINAS, MENINAS, MULHERES: não existe violência pequena!

Violência, do latim “violentia”, que significa veemência, impetuosidade. Mas, na origem, está relacionada à violação (violare).

Tela: Elis Quintão I Fotografia: Jorge Quintão

“Logo, ele começou a demonstrar um ciúme obsessivo, demonstrado com PEQUENAS agressões, como mordidas e beliscões”, o relato é da Barbara Penna, em matéria publicada pelo G1, quando relembra que, em 2013, foi agredida enquanto dormia, chegando a desmaiar e só despertando ao sentir o cheiro do álcool que o ex-namorado havia jogado em seu corpo para atear fogo e, em seguida, arremessá-la pela janela do terceiro andar, enquanto, no apartamento em chamas, seus dois filhos — uma menina de dois anos e um menino de três meses — morriam asfixiados. Barbara sobreviveu após ter 40% do lado direito do corpo queimados, fraturar a bacia e o fêmur, ter a orelha desfigurada e retina destruída, sendo necessária a realização de um transplante. Ela também já foi submetida a mais de 200 cirurgias, sendo ainda necessário um número impossível de quantificar.


Mas, são muitas as Barbaras que não sobreviveram para contar como tudo começou. Como as PEQUENAS agressões se transformaram — dia após dia — em sessões de tortura, em verdadeiras sessões de horrores. São muitas as Barbaras que não sobreviveram para compreender que não existe PEQUENA agressão.

MIGXS, MANAS, MINAS, MENINAS, MULHERES: não existe VIOLÊNCIA PEQUENA
Violência não tem tamanho. 
Violência é crime. Inadmissível, abominável, condenável. 
Violência deve ser combatida sempre. Desde o início. Já no primeiro ato. No primeiro momento. Na primeira manifestação. Na primeira vez. 
Por isso, saber identificar comportamentos violentos é muito, muito importante. Então, vamos lá:

  1. Nem sempre o agressor é um homem. Pode uma ser uma mulher.
  2. Nem sempre é utilizada a força física. Humilhação, ofensas, xingamentos, gritos, intimidação, terror psicológico — tudo isso é violência.
  3. Nem sempre a pessoa precisa estar presente para violentar o outro / a outra. Vocês se lembram da adolescente de Veranópolis, na Serra Gaúcha, que se matou aos 16 anos após o ex-namorado divulgar fotos dela seminua nas redes sociais?
  4. Nem sempre a violência parte de um desconhecido, pelo contrário, na maioria das vezes, a violência é praticada por companheiros, familiares, amigos, conhecidos, maridos, namorados, ex-namorados, ex-maridos, vizinhos, colegas de trabalho, e por aí vai…

MIGXS, MANAS, MINAS, MENINAS, MULHERES: violência deve ser denunciada! 
A violência não denunciada não irá cessar sozinha. 
Não acredite em promessas vãs. 
Não acredite em palavras jogadas ao vento… 
Não acredite no amor do criminoso que te violenta — dia após dia — com a justificativa de que foi por amor, foi por ciúmes, foi por culpa sua, foi porque você provocou, foi para você aprender, foi para melhorar a relação de vocês, foi porque você o fez perder a cabeça, foi porque você… e você… e você… e sempre você…
Não, minha querida! Não foi por nada disso… 
Não foi você!
Não é você. 
Nunca foi. 
Nunca é. 
Violência contra mulher na nossa sociedade tem inúmeros porquês e, certamente, nenhum deles está relacionado à mulher, ao comportamento feminino. 
Violência na nossa sociedade é cultural — disseminada aos quatro ventos, como prática e conduta masculina legitimada e normal, duvidam? 
Quem aí nunca cantou que “um tapinha não dói?” Ou quem aí nunca julgou uma mulher pelo tamanho da sua saia, a altura da sua gargalhada, o empoderamento da sua fala, a maneira como caminha, quantas bocas já beijou?
O anormal por aqui, minhas queridas, é não ser violentada. E, por isso, a denúncia é fundamental. A denúncia e a punição do agressor é a única forma de mudarmos essa realidade — tão cruel, injusta e que vem dizimando nossas meninas, nossas mulheres, nossas mães, filhas, avós, amigas… 
Que vem dizimando a nós mesmas...
Um tapinha dói. 
Um tapinha marca. 
Um tapinha leva a outro tapinha. A outro. A outro. 
Um tapinha leva a um empurrão. A um soco. A uma mordida. A um chute. A um puxão de cabelo. A um corte. A um tiro. A um outro tipo de violência, sempre maior… Sempre maior… E assim sucessivamente, progressivamente e sempre. 
Até o fim. 
Até a morte.

COMO DENUNCIAR

  1. Por meio do Disque 180 — que corresponde à Central de Atendimento à Mulher — disponível 24 horas em todo país. Lá, a vítima ou a pessoa que está realizando a denúncia irá receber todas as orientações necessárias para resolver a questão. Geralmente, a indicação é que o caso seja levado para uma Delegacia de Defesa da Mulher ou uma Delegacia Especial de Atendimento à Mulher. O Disque 180 também recebe denúncias anônimas. Então, não há motivos para sermos omissos!
  2. Através de um chamado para a Polícia Militar: 190
  3. Indo diretamente a uma Delegacia na sua cidade.

Denuncie. 
#VamosJuntas

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