Polêmica sobre a publicação da Charlie Hebdo

O jornal satírico Charlie Hebdo, que foi destaque no mundo todo no início de 2015, quando um atentado muçulmano matou 12 pessoas de sua redação, continua com sua regra básica: criar polêmicas.

Sua linha editorial não mudou em nada e sua forma de mostrar uma realidade nua e crua através da sátira em alguns momentos serve para alertar, em outros cria sensação de repulsa. No entanto, o que se pode pensar sobre isso? A realidade não foi sempre nua e crua?

Em setembro de 2015, apenas nove meses depois do atentado, a capa do Charlie Hebdo foi novamente motivo de críticas: as charges estavam ironizando a morte do menino sírio Aylan Kurdi, de 3 anos, numa praia na Turquia, vítima de um naufrágio de refugiados que buscavam escapar das atrocidades da guerra civil na Síria.

As charges tiveram uma avalanche de críticas em redes sociais, considerando o periódico xenófobo, alegando que usar a morte do menino tinha sido uma ofensa. Desta forma, novamente o jornal atraía a atenção por não respeitar a fé muçulmana.

Dessa vez, a hashtag “Je suis Charlie”, que tinha sido a senha para pedir paz no relacionamento entre cristãos e muçulmanos, transformou-se em “Je ne suis Charlie”, como protesto contra a ofensa lançada usando a morte de um inocente.

Na segunda semana de janeiro, mais uma polêmica. Aproveitando-se do recente acontecimento sobre abusos sexuais e roubos registrados na noite de Ano Novo em Colônia, na Alemanha, onde os supostos autores teriam sido imigrantes muçulmanos, o Charlie Hebdo levantou mais uma questão para alertar sobre o que se pode considerar como invasão muçulmana à Europa: criou charges imaginando qual seria o futuro do menino sírio que foi morto na praia da Turquia, se tivesse sobrevivido e crescido na Europa.

Com a frase “No que teria se transformado o pequeno Aylan se ele tivesse crescido? Apalpador de bundas na Alemanha”, o desenho mostra a imagem do menino perseguindo mulheres.

Novamente as redes sociais foram o palco das críticas contra o Charlie Hebdo, acusando o jornal de ser racista e xenófobo. Mas os comentários na rede social também se manifestaram a favor do semanário. Afinal, teria ou não razão ao fazer com que o público se confrontasse com uma possível realidade?

A verdade em toda a polêmica causada pelo Charlie Hebdo é que vivemos uma época muito parecida com a que a humanidade passou na Idade Média: não aprendemos ainda a respeitar as crenças e os valores de nossos semelhantes.

Ainda não conseguimos entender que precisamos conviver com as diferenças e que a única coisa que poderá trazer um pouco mais de paz ao mundo é o respeito pelo outro, que também deve nos respeitar.

O mundo enfrenta momentos cada vez mais críticos, com movimentos buscando suas razões para que uns lutem contra os outros, quando o que devia ser feito era lutar pelos objetivos básicos e primários da humanidade: procurar o conhecimento, o crescimento e o desenvolvimento.

Charlie Hebdo, com suas críticas mordazes, está apenas nos mostrando que precisamos nos encarar como seres humanos e não como inimigos.

Conte-nos sua opinião sobre o assunto e leia mais textos como este no Jurídico Correspondentes.

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