Borrasca.

Estou escrevendo sobre você sim.

Eu me esbarro com tuas cartas, que ainda estão pela minha casa, e lendo elas nem parecia que você iria sugar cada partícula que constituía o resquício da minha felicidade.

Não foram uma, nem duas… Mas quem está contando? Eu insisto em ser “o sândalo que perfuma o machado que o feriu”, eu insisto em ciar. A cada camada dessa resiliência que eu insisto em ter, eu vejo você em mim.

O mundo rasgou-me a alma, provocou profundos sulcos no meu coração. E tu, foste a linha que eu usei para costurar cada ruptura. Mas de que adiantou se foste tu o estilete a cortar as finas linhas?

Eu não sei no que acreditar, a esperança já soa como uma grande besteira… E eu ainda penso em você. Tem sido difícil a cada dia ver você mais distante, mas ultrapassaste o limite do tolerável. A cada corpo, não encontrar o teu cheiro, é uma dolorosa decepção e eu não paro de insistir de em cada abraço procurar o seu. Eu ainda espero ouvir tua voz baixinha no meu ouvido: vai ficar tudo bem.

A cada lembrança de que você é minha estigma, eu quero fazer meus pensamentos evanescerem! Pois a cada lembrança, os pontos que ainda cicatrizam dolorosamente, arrebentam-se. Os nossos laços, se desfazem. E eu? Ainda me agarro a você.

Traz a saudade e o coração aberto que amanhã tu é meu. Leva o violão? Tu disse que quando eu explodisse tu viria juntar meus pedaços, mas onde está você agora?

Salerno, Júlia.

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