Capítulo zero — Estado imutável de uma não-autobiografia

Por pouco esse texto jamais aconteceria, ou cada detalhe escrito se perderia no meio das anotações no meu notebook, por medo, insegurança ou qualquer outra intimidação latente que me impedisse de tornar público a assustadora vontade de escrever.

Eugenia Loli

O sentimento é curioso, especialmente se me atento a minha proposta de escrita. Ainda assim, pude perceber que não comecei — e nem irei — aquilo que devia ser uma resenha sobre um tema não exatamente novo para mim.

Desde o princípio, reunir idéias incompletas, posts de Facebook e rascunhos aleatórios não pareceram convergir para um sentido. Como se a qualquer momento a cortina levantasse e o público estaria acenando e rindo de mim, como numa comédia-pastelão-show-de-Truman-tragédia-grega.

Mas se eu começar por uma letra do David Bowie? Ou por um dilema que tornaria a tabuada do 7 mais difícil? O problema é: O que vem depois?

Mesmo que esse texto não seja um entretenimento tão atrativo quanto dizer que prefiro amarelo ao invés de vermelho, que gosto de café na mesma proporção que gosto de cerveja ou que não tenho paciência para assistir TV, fico pensando que quando alguém ler algo explicitamente atrelado às minhas experiências, cada palavra se tornaria ficção. Sempre somos personagens escrevendo.

Portanto, logo advirto que o que se seguirá não passa de uma ordenação arbitrária e artificial.

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