Pitty: Reinstalando o Sistema

Nascida em Salvador e residente de Porto Seguro por alguns anos, Pitty renovou o rock nacional quando os singles “Teto de Vidro”, “Máscara” e “Admirável Chip Novo” estouraram em escala nacional há dez anos (mais ou menos), mostrando em cada acorde de suas composições a raiz de seu estilo, plantada e crescida na cena do hardcore underground da Bahia.

Filha de um músico, que também era dono de bar (e vice e versa), Pitty absorveu suas primeiras influências musicais já na infância, ainda emolduradas às referências de seus próprios pais, como Beatles, Elvis, Lou Reed dentre outras. Entretanto, na adolescência, as bandas grunges de Seattle como Nirvana e Alice In Chains a fisgou de vez para o punk e o hardcore, devido, principalmente, a compatibilidade entre a essência desses grupos com a sua personalidade rebelde. Ainda nessa época, Pitty participou de duas bandas: Shes, que era composta só de garotas e onde ela era baterista, e a Inkoma, onde era vocalista.

O álbum de debutante da cantora, Admirável Chip Novo, foi lançado em 2003, pela gravadora independente Deckdisc em parceria com a Polysom. Contando, como dito, com os singles Máscara, Teto de Vidro, Admirável Chip Novo e Equalize, a obra simplesmente explodiu no mercado, se tornando o álbum de rock mais vendido do ano com 600 mil cópias, além de ter sido indicado ao Grammy Latino como Melhor Álbum de Rock Brasileiro. Um dos principais diferenciais do álbum talvez seja a estrutura de suas composições. Em oposição à maioria das bandas de hardcore que possuem as letras de suas músicas extremamente focadas em seus refrãos, as canções de Admirável Chip Novo, majoritariamente escritas por Pitty, apresenta um texto corrido, cuspindo críticas ácidas à sociedade e remetendo-se a grandes pensadores como Tom Hobbes em O Lobo e Aldous Huxley, autor de Admirável Mundo Novo, que é a principal influência para a canção homônima ao disco.

O segundo álbum de Pitty, com o título de Anacrônico, foi lançado dois anos depois do sucesso de Admirável Chip Novo, também pela Deckdisc em parceria com a Polysom, alcançando o número de 700 mil cópias vendidas. O disco mantém a qualidade de Pitty e sua banda já apresentada no álbum anterior, tendo a sua setlist pontuada por uma série de singles como Anacrônico, Memórias e Na Sua Estante. Além disso, o álbum foi marcado pela saída do guitarrista Peu, que apesar de participar da construção da obra, sendo inclusive co-compositor de Deja Vu, deixou a banda pouco antes do lançamento daquela para se dedicar a outros projetos, sem maiores atritos com Pitty. Seu substituto foi Martin.

Se o intervalo de tempo do primeiro para o segundo álbum não foi tão grande assim, os fãs da cantora tiveram que esperar um hiato de quatro anos para o lançamento de Chiaroscuro, o sucessor de Anacrônico. A diferença dos dois primeiros álbuns para esse, todavia, não se restringiu unicamente ao tempo, mas também à forma das canções. Apesar de manter a veia hardcore, as variações de estética e ritmo da setlist de Chiaroscuro são muito mais amplas, indo de canções extremamente intimistas e oníricas, como Trapézio, à baladas chicletes como Me Adora. Lançado em 2009 pela velha parceria entre a Deckdisc e a Polysom, Chiaroscuro alcançou 200 mil cópias vendidas, tendo como principal proposta “uma investigação sobre o ser humano como um todo”, como a própria Pitty descreve.

De Chiaroscuro para o próximo álbum da banda, Sete Vidas, foram-se mais cinco anos, entretanto com um projeto paralelo, um Rock In Rio e um ano de 2013 no meio. O projeto paralelo, feito em parceria com Martin e intitulado Agridoce, tinha como principal proposta ser um álbum de músicas folk (ou “fofolk”, como a cantora define), tendo como fontes de inspiração as obras de artistas como Nick Drake, Leonard Cohen, Elliot Smith, dentre outros. Lançado no final de 2011, o álbum possui como faixa mais famosa o single Dançando, cujo clipe foi gravado na Serra da Mantiqueira, mesmo local onde ficaram isolados durante o período de composição do disco. Ainda no mesmo ano, Pitty tocou no retorno do Rock In Rio ao Rio, depois de dez anos, se apresentando no Palco Mundo no mesmo dia que Evanescence, System of a Down e Guns N’ Roses.

Em 2014 Pitty e sua banda (já não contando mais com o baixista Joe, que saiu de forma turbulenta) lançam o álbum Sete Vidas, novamente pela Deckdisc e com mixagem do gringo Tim Palmer, que já trabalhou com U2, Pearl Jam, David Bowie (#RIP), Robert Plant e Ozzy Osbourne (só isso…) levanto ao álbum certa sofisticação aliada à agressividade do som de Pitty, mistura que é muito presente nas bandas punk britânicas. Depois de um 2013 difícil para a cantora, permeado por problemas de saúde e perdas pessoais, no finalzinho do mesmo e início do ano seguinte, Pitty já dava pistas através das redes sociais que estava produzindo o sucessor de Chiaroscuro em sua discografia, chegando à confirmação (praticamente) ao longo de um post em seu blog pessoal sobre o Número Sete, fazendo inúmeras referências ao simbolismo e significados religiosos do mesmo. Pouco tempo depois, o disco foi lançado juntamente com o clipe do single de mesmo nome e que exorcizava em sua letra todos os dramas de 2013. Outra música de sucesso da obra foi Serpente, na qual Pitty faz uma série de experimentações envolvendo suas raízes baianas e os ritmos do candomblé, produzindo uma mistura extremamente original com as notas pontiagudas do rock.

Atualmente Pitty está rodando com sua banda na turnê Sete Vidas, incluindo participações memoráveis na Virada Cultural de São Paulo, no Lollapalooza (eu assisti e foi foda!), além do show em uma das escolas defendidas pelos alunos no ano passado nos protestos contra a ““““““reformulação”””””” da educação do estado de São Paulo proposta por Malckmin.

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