Ilustração: Anna e Elena Balbusso

A arte das palavras

Sempre invejei os artistas. Todos aqueles que, com seu talento, conseguem expressar os sentimentos mais profundos da alma humana. Alguns conseguem fazê-lo com a voz. Outros com pincéis e tinta. Há ainda aqueles que nascem com o dom da palavra e da escrita.

Minha voz é terrível. Mesmo assim eu canto. Já os pincéis e tinta nunca quiseram amizade comigo. Os únicos objetos que pareceram me aceitar como sou foram o lápis, a caneta e o teclado do meu computador. Eles sabem que eu não sou artista, que não sou escritora, mas compreendem que preciso me expressar.

Eles aceitam que há coisas que são pesadas demais pra carregar sozinha no peito, na mente e nas mãos. Os sentimentos — em especial os mais tristes — são como água, e escorrem entre olhos e dedos. E, na falta de outra alma que possa ouvir, acalentar e aceitar, aqueles objetos sem alma o fazem.

Que mundo louco esse, não é verdade? Mais de 7 bilhões de pessoas no mundo, mas muitas vezes o lápis e o papel são a sua melhor companhia…

Essas palavras que escrevo me protegem da completa loucura
— Charles Bukowski

Se você é como eu, seja bem vindo(a). E se você não for como eu, mas puder me aceitar como sou — péssima cantora, inábil pintora e não-escritora— seja bem vindo(a) também. Espero que nossas palavras possam fazer companhia umas às outras.

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