Entre corpos e refeições

Ela sempre achou que cozinhar é um ato de amor. Cozinhar é um jeito de amar as pessoas. “Tá aqui, meu bem... Eu fiz isso pra você, pra te alimentar, pra te nutrir”. E o amor nos nutre tanto quanto a comida.

Então lá estava ele, num domingo de manhã cortando as verduras no balcão usando nada além daquela cueca samba-canção e aquele corpo cheio de pintinhas que ela tanto gostava. Ainda tinha umas marquinhas de lençol nas suas costas, frutos de uma noite pouco, porém bem dormida. Ela recostou na porta da cozinha e ficou ali olhando... Só de olhar, ela conseguia sentir o cheiro dele mesmo com aroma de cebola e alho refogando na panela.

Ainda assim, não resistiu. Se aproximou devagar e o abraçou pelas costas, cheirou profundamente seu pescoço e deixou aquele ar preencher seus pulmões e sua cabeça. Beijou-o por trás da orelha e enquanto os beijos desciam por seu ombros, suas mãos deslizavam por sua barriga. Elas estavam chegando bem perto da sua cueca quando ele virou-se inesperadamente suspendendo-a pela cintura e sentando-a no balcão. Quase que instintivamente, ela abraçou seus ombros e o puxou pra perto com suas longas pernas envoltas em seu quadril.

“Ahhhh…” — os dois não contiveram um pequeno gemido em uníssono.

Impossível haver reação diferente. O impacto dos dois corpos se tocando…

A rigidez dele…

A maciez dela…

Desligaram o fogão.

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