O Abismo

Esse é um daqueles momentos em que você é tomado por um sentimento ruim e intenso quando você não está esperando por ele. É madrugada, você tá sozinha e a analista tá de férias já há algumas semanas (deixando um monte de conteúdo doidinho pra sair, mas sem ter um espaço “seguro” para tal).

Aí o que você faz? Você vê um filme, uma série, vai ler um livro, come alguma coisa, faz de tudo pra fugir daquela coisa ruim que a cabeça insiste em pensar. Em resumo, você evita a todo custo olhar pra tudo aquilo que te dá o maior medo. E isso funciona por um certo tempo, fazendo você acreditar que aquilo “passou”. Aí, de repente, alguma coisa acontece que dá aquele clique, aquele estalo. Parece que o botão simplesmente liga e trava na função ‘on’. E então, não há filme, série, livro, comida ou coisa que o valha que faça aquilo sair da sua cabeça e você se vê obrigado a encarar o seu abismo.

Dói. Dói muito. Aí você para pra pensar e vê o quanto aquelas coisas já estavam saindo, mesmo sem você querer ou se dar conta. Elas saiam através das suas atitudes, da sua forma de lidar com certas coisas, na sua forma de falar, naquilo que te incomodou e naquela pequena coisinha que deu o “click”.

Que medo! Que medo enorme eu tô sentindo... Medo de fracassar. Medo de não conseguir ser e realizar as coisas que eu quero pra mim. Medo de que nada das coisas que eu consegui conquistar sejam “realmente reais”. Medo de perder tudo…

Medo do que vão pensar! Ai que medo idiota! O que importa o que vão pensar? Eu sei que não importa nada, mas importa tanto! Porque? Ah… Eu sei bem porque… Isso eu já descobri…

E saber disso, lembrar do quanto tudo que envolve isso já foi dito e redito, pensado e repensado, reprimido e explorado, me faz lembrar do quanto eu preciso viver a minha vida e buscar romper com essas repetições, esquemas, conceitos, caixinhas que me colocaram e que me aprisionam e que não refletem o que eu sou e o que eu quero ser.

Mas falar é sempre mais fácil do que fazer. Esses esquemas, conceitos, caixinhas que colocam a gente e que nos aprisionam, são muito fortes e muito emaranhados em nossas entranhas. Tão entranhado em nós, que dominam nosso pensamento, nossas emoções, e nos fazem sentir todo esse medo.

É preciso senti-lo por inteiro para conseguir enxergar o que está além do que se vê. Afinal, só quando conseguimos clarear as coisas podemos efetivamente aceitá-las e/ou mudá-las.

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