JOVENS QUILOMBOLAS


Na segunda-feira, nosso primeiro dia de gravação em Belém, fomos ao Quilombo do Abacatal. Lá vivem mais de 1500 quilombolas, que deveriam ter uma vida tranquila, já que conquistaram a titulação de suas terras e vivem da agricultura familiar, principalmente do cultivo da mandioca e do Açaí.

Mas a juventude do local anda bem preocupada. Próximo ao Quilombo estão sendo construídos alguns conjuntos habitacionais Minha Casa Minha Vida e todo encanamento de esgoto será despejado nos igarapés do Abacatal.

A comunidade está em alerta, todos tem medo que os Igarapés sejam contaminados e isso prejudique a subsistência do Quilombo, que vive da agricultura, pesca e produção de farinha de mandioca.

Encontramos jovens que amam essa vida amazônida, em meio à natureza, vivendo em comunidade, e que estão preocupados com a possível contaminação das águas dos igarapés pelos dejetos dos futuros moradores do Minha Casa Minha Vida.

Visitamos o Igaparapé, com a Ednalva, quilombola moradora do Abacatal que nos contou a história do caminho das pedras. Esse caminho foi construído pelos seus antepassados, negros escravizados no Brasil, para que o Conde não sujasse seus pés ao caminhar para banhar-se nos igarapés. Aliás, esse caminho serviu como prova documental para que o quilombolas do Abacatal, que têm 364 anos de história, conseguissem há alguns anos a Titulação de suas terras e a regulamentação como uma APA.

Ser jovem no Quilombo é muito especial, segundo Evelyn, uma jovem liderança de apenas 14 anos, que luta contra a contaminação dos igarapés e que nos fala com brilho nos olhos da importância de crescer com liberdade, em meio à natureza.

A maioria das crianças do Quilombo estuda na escola da comunidade, que oferece o ensino fundamental até a quarta-série, da quinta em diante as crianças passam a estudar fora da comunidade, no município de Anauadeua.

Kátia Visentainer

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