Hardware is Hard!

Victor Dueire
Sep 4, 2018 · 8 min read

Nada mais dinâmico e mutável que o mundo das Startups. Em geral, esses novos negócios de tecnologia estão quase sempre associados à parte de programação, códigos, dentre outras coisas que sempre remetem a software! Temos que admitir: muitas Startups conseguem atingir seus objetivos através de suas plataformas e apps com funcionalidades que oferecem diferenciais competitivos e realmente se diferenciam no mercado.

Até aí, tudo beleza! Mas… e se teu software precisar de um hardware? Já parou pra analisar, a fundo, essa questão? Se não, tá mais do que na hora de se ligar, né?

Hardware é coisa séria.

E aí, deu pra sentir o drama desse tal de hardware, né? Mas calma, pois através deste artigo pretendo abrir seus olhos para questões importantes ao longo do desenvolvimento de hardware que podem vir a te ajudar a não quebrar a cara (ou pelo menos quebrar da forma menos custosa possível!)

Sentiu o drama desse tal de Hardware, meu vei?

Dessa forma, listei 7 fatores que acredito ser o motivo de falha de startups de hardware para ajudá-lo a manter o seu negócio longe dessas encrencas de maneira clara e objetiva!

1) Não levar em consideração o DFM (Design for Manufacturability)

Chegar a um protótipo funcional é apenas metade da batalha vencida. O verdadeiro desafio está em tornar viável a produção em massa deste protótipo.

Por exemplo, enquanto placas de prototipagem como Arduino ou Raspberry Pi podem ser ótimas ferramentas para prototipagem de eletrônica, elas não são opções economicamente viáveis para produção em larga escala. Já uma PCB (Printed Circuit Board) personalizada, projetada de acordo com a funcionalidade principal de seu produto e usando componentes facilmente disponíveis, é a etapa lógica ao escalar.

Para o projeto dos invólucros plásticos ou gabinetes (“case” ou “caixinha”, caso prefira), nos deparamos com muitos projetos que não são adequados para fabricação em alto volume ou que, às vezes, são complexos de fabricar, o que acaba por resultar em custos elevados de manufatura. Para protótipos de prova de conceito (aqueles que você quer testar dimensões, posições dos botões/visor, ergonomia, etc), um invólucro pronto para uso ou uma caixinha impressa em 3D ou cortado à laser, geralmente funciona bem. A medida que o desenvolvimento do seu produto vai avançando, você acabará precisando de um invólucro profissionalmente projetado para o seu produto.

Um invólucro personalizado profissionalmente oferece a combinação certa de estética, usabilidade e funcionalidade, considerando as restrições de fabricação e outros aspectos técnicos.

A importância do DFM (Design for Manufacturability ou Design para Manufatura) é muitas vezes subestimada por muitos “projetistas” e isso pode resultar em custos adicionais significativos, atrasos e frustrações ao longo do processo de desenvolvimento de seus produtos.

Outros aspectos devem ser considerados, como o DFA (Design for Assembly ou Design para Montagem)por exemplo. Essa característica pode reduzir ainda mais os custos do processo de montagem do produto, tornando-o mais eficiente. Atualmente, existe uma tendência de simplificar cada vez mais as montagens, como fica bem claro nos produtos da Apple, por exemplo, onde o design visa alcançar o conceito de Unibody, onde as peças possuem um caráter de continuidade e, praticamente, não existe montagem entre as partes.

2) Subestimar os custos de desenvolvimento.

Talvez essa seja a maior problema de todos. Nos últimos anos, custos de prototipagem têm diminuído e isso tende a continuar , mas esses custos podem aumentar muito quando o assunto é manufatura em escala.

Existe uma diferença gigante entre prototipagem e fabricação: o propósito. A prototipagem reduz a necessidade de ferramentas e máquinas mais robustas, porém o custo por protótipo é sempre maior do que o custo da peça final. O protótipo serve para validar funcionalidades básicas, proporcionar novas experiências, testes etc. Quando tentamos preservar as tecnologias de prototipagem e aplicá-las para a produção em escala, a ideia vai pelo ralo e o custo inviabiliza o projeto.

O cenário é o seguinte: Startup levanta $1 milhão em investimento e continua sem condições de inserir seu produto no mercado.

Muitas vezes, isso é resultado da subestimação dos custos gerais de desenvolvimento — que inclui certificações, montagem, embalagem, armazenamento e remessa — de atrasos inesperados, alterações ou defeitos de ferramentas.

É, basicamente, álgebra de padaria.

3) Falta de pesquisa e validação.

Em startups existem dois cenários: “Nice to have” x “Must have”! É simples, se você tiver um produto bonito e interessante ele será massacrado pelo mercado, o que ele precisa mesmo, é resolver uma necessidade.

Não saber e entender o suficiente sobre as necessidades, desejos e problemas de seus usuários finais é outra grande armadilha que as startups de hardware (e todos os empreendedores que querem ter sucesso) devem ficar atentos. A dinâmica em hardware é totalmente diferente, uma vez que as iterações ao longo do processo de desenvolvimento são muito mais custosas quando comparada com softwares. Não é como retirar ou inserir uma linha de código e atualizar o sistema.

No entanto, vemos muitas startups criando produtos atendem as necessidades de seus clientes e só percebem depois que eles não abordam problemas reais, não têm mercado real ou um modelo de negócios viável.

A parada é séria, não é para amadores.

Adaptando o slogan dos meus conterrâneos da In Loco Media: “Move fast, break things and learn how to build better and cheaper!

Defina seu público-alvo e conduza uma extensa pesquisa para entender sua base de clientes. Receber feedback em tempo real dos usuários é crucial para entender o que o público-alvo está realmente procurando e isso pode reduzir custos e tempo de desenvolvimento, pois não será necessário utilizar recursos em aspectos que não são de interesse dos clientes.

Isso não apenas mantém você focado na solução de problemas reais, mas também ajuda a evitar recursos inúteis. E como resultado, dar aos usuários o que eles pedem, facilita ainda o processo de vendas e marketing.

4) Dar (muito) ouvido aos seus clientes! (Sério…. É isso mesmo?!)

Sendo apaixonado pelo seu produto, você pode se sentir tentado a oferecer aos seus clientes todos os recursos que eles pedem. E, embora seja importante ouvir seus clientes, você também precisa trabalhar dentro de suas restrições financeiras como uma startup e perceber que não é possível deixar todos felizes. Muitas vezes, o que o cliente diz não é realmente o que ele quer, e pior, na grande maioria ele nem precisa do que pede.

Por exemplo, ele pede uma tela cada vez maior para determinado celular, mas não percebe que em algum momento seus usuários não poderão manipular usando apenas uma mão.

“There is only one boss: The customer” Not at all, Sam!

Concentre-se em uma necessidade específica e tente lidar com ela melhor do que qualquer um. Como descrito no livro de Willian Lidwell, Princípios Universais do Design, existe um tradeoff claro entre flexibilidade e usabilidade;

Produtos flexíveis podem executar mais funções do que produtos especializados, mas eles executam tais funções de forma menos eficiente. Por exemplo, “um canivete suíço oferece flexibilidade nas funções que ele pode executar, mas é menos eficiente na execução das mesmas funções quando comparado com as ferramentas especializadas correspondentes”.

Quão maior for o número de recursos, maior será a complexidade e o custo de produção associado. Além disso, maiores as chances das coisas saírem do controle. Erros em startups de hardware são caros, por isso, é melhor manter as coisas simples ao começar.

5) Se apaixonar pela própria ideia

Alguns fundadores são obcecados pelas próprias ideias, a ponto de não aceitar realidades do mercado, dados ou até mesmo críticas construtivas de seus clientes, investidores, familiares e amigos. Uma ideia por si só não é suficiente, é preciso existir mercado para isso. Portanto, é importante manter a interação com os clientes e melhorar suas ideias na medida em que você coleta mais e mais dados nas pesquisas e conversas com seus usuários.

Isso garantirá que seu produto seja mais adequado ao mercado e bem recebido por seus usuários. Na Idea, percebemos que trabalhar com clientes que estão aberto a críticas em relação á sua ideia inicial torna o processo bem mais ágil e eficiente. Se trata de uma relação ganha-ganha, onde podemos trabalhar com mais liberdade e criatividade, criando assim um produto melhor do que havia sido planejado inicialmente.

6) Falta de teste adequado

O que você deve fazer quando você tem um ótimo protótipo que funciona exatamente como pretendido? Você deve gastar tempo suficiente (e dinheiro) para testar seus produtos antes de entregá-los aos seus clientes. Compreender e aplicar metodologias padronizadas para teste de produtos, testar rigorosamente seu produto para diferentes ambientes e para várias formas de uso é extremamente importante para garantir a satisfação de seus usuários.

Por exemplo, você pode ter um produto à prova d’água que é montado e testado próximo ao nível do mar e está funcionando conforme o esperado. Se o mesmo produto for transportado para uma área de altitude maior, as vedações de impermeabilização podem falhar caso a diferença de pressão não tenha sido contabilizada de forma adequada durante o projeto.

Temperatura, altitude, níveis de umidade variam entre as regiões e, portanto, é importante projetar e testar seu produto de acordo com as condições em que ele deve operar.

Lembre-se, nenhum negócio — grande ou pequeno — quer que seus clientes enviem produtos de volta porque estavam com defeito. E, no caso das startups, por se tratar da aplicação de recursos escassos em oportunidades de mercados extremamente incertos, essa produção defeituosa pode significar o fim do negócio.

Hahaha!

7) Não apresentar vantagem competitiva

Para a maioria dos produtos físicos não é difícil de fazer engenharia reversa ou replicar, todo produto é passível da produção de cópias. Para cada ideia de hardware inovadora, é mais provável que algumas empresas na China possam oferecer um produto similar a um preço muito mais baixo. Se você tiver um produto de grande sucesso, ele provavelmente será copiado, às vezes até mesmo antes de sua campanha no Kickstarter terminar.

“Vou te copiei” (Antigo provérbio chinês)

As patentes podem ajudar, até certo ponto, dependendo da sua ideia de produto, mas elas são caras para começar. Os custos de litígio em caso de violação por alguém em outro país com mais recursos financeiros que você, normalmente não valem o incômodo. E se o seu produto é relativamente fácil de fabricar, não será apenas uma fábrica que você terá que ir atrás para reclamar.

Sua única vantagem competitiva, então, é criar uma comunidade forte em torno de seu produto, construir uma marca e oferecer um ótimo suporte ao cliente, para que você não esteja simplesmente vendendo um produto, mas sim uma excelente experiência para seus clientes.

É isso, galera!

Espero que essas dicas possam ter te ajudado. Fique atento e siga seus instintos, ninguém entende melhor do seu business do que você.

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