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Photo by Matthew Henry on Unsplash

Gostaria de começar esse texto falando: Sorine, me patrocina. Esta crônica como um todo vai ser um grande merchan pra vocês. O mínimo que podem fazer é mandar umas amostras grátis lá pra casa. Dito isso, vamos aos fatos: eu ronco. Ronco mesmo. De barriga pra cima, de lado, de conchinha. Ronco. Simples assim. Faço barulho no momento que mais queremos silêncio no mundo. Sinto muito por ser assim, cara futura pessoa que dormirá ao meu lado.

Roncar é um tabu. E não deveria ser. Assumimos envergonhados os malfadados sons para qualquer pessoa que, porventura, acabe alocado no mesmo cômodo que nossas desrespeitosas narinas. Para ser menos desagradável, não vivo sem meu descongestionante nasal. Esqueço meu RG, mas não esqueço meu Sorine em casa (falei que esse texto tinha tudo pra ser um merchan). Tenho consciência do mal. Do vício. E como o próximo passo é o centro cirúrgico. Porém, sigo tentando diminuir os decibéis da minha respiração ao dormir.

Mas a verdade é que roncar é mais normal do que se imagina. Claro que uns roncam muito mais que outros. Por isso, criei algumas nomenclaturas para os diversos tipos de ronco que já vi por aí. Existe o ronco bolha: aquele que é bem silencioso, mas sempre tem um estourinho no final. Ploc. O ronco assovio: que você nunca sabe se a pessoa está dormindo ou flertando com você no tardar da noite. Tem também o ronco monólogo: que mistura ronco, sonambulismo e textão noturno. E claro: o bom e velho ronco trator. Aquele que sai debaixo, só uma pessoa vai dormir aqui dentro dessa casa hoje. Daqueles que às vezes consegue acordar o próprio roncador. Aí é todo mundo acordado real/oficial.

Os anos passam e os problemas respiratórios aparecem. Quando a gente é criança e vê o vô roncando acha que nunca chegaremos a tal estado sonoro. Mas aqui estou eu. Com um nariz de vô muito antes de ser vô. Muito antes de ter a idade do meu vô. Morar em São Paulo deve ter agravado tudo que se passa dentro dos meus tubos. É poeira, poluição, glitter no carnaval, aquele cheiro de pão de queijo na estação Vila Mariana do metrô (não tem como aquilo fazer bem para o nariz, gente).

Por isso, venho por meio desta clamar: deixe-nos roncar em paz. Se te incomodar, me cutuca. Eu viro pro lado numa boa. Faz um video manda pra todo mundo do grupo do whatsapp pra me zoar. Está tudo bem. Mas me deixa dormir. Acima de tudo: me deixa roncar. Eu posso até acordar e colocar mais quantos vidros de Sorine forem necessários para a noite transcorrer suave. Sem congestionamento. Nem nasal, nem na nossa relação.

Aliás, já pensou como seria incrível se existisse descongestionante para todo o resto da nossas vida? Pingou, passou. Aguardo ansioso pelo descongestionante Bolsonasal. Uma pena que por hora tudo isso não passe de um sonho acordado.

Boa noite e bons roncos.

Written by

por João Freire

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