Sopro.

Sempre que alguém morre, eu paro pra pensar no quão breve a vida pode ser. A morte de um ator ontem mexeu comigo. Me deu um tapa de realidade mostrando que agora estamos aqui e, talvez, no próximo segundo não estejamos mais. Pá-pum. Sem mais nem menos. Pode ser por um guarda-chuva que caia do 20º andar na sua cabeça, um buraco negro que resolveu entrar na órbita da Terra ou por sair de casa pra um dia como qualquer outro. Para morrer, basta estar vivo, já diziam.

E quando paro pra pensar, eu que sou assumidamente um ansioso de carteirinha, eu vivo mais o futuro do que o presente. Fico preso numa necessidade de pensar no amanhã e esqueço do hoje. E cá entre nós, o amanhã é um monte de ar. Um monte de nada. E tudo que você que o amanhã vai ser pode, simplesmente, não ser. Eu já sofri tanto por antecipação. Pensei mil coisas com mais dramaticidade na minha cabeça do que realmente era necessário. Travei discussões com pessoas invisíveis. Com pessoas que já foram pra nunca mais voltar. Com causas perdidas que não iriam agregar nada a mim.

Viver o agora não é necessariamente ser descuidado. É ser menos agarrado às formalidades. É ser responsavelmente irresponsável. É pensar sim no amanhã, mas sem esquecer do hoje. De quem está ao seu lado. De aproveitar o que você tem. Viver o agora é deixar pra amanhã algo que não precisa ser feito. É a procrastinação com seu brilho máximo. A vida é uma vela. E basta sim um sopro para apagá-la.

Quando você simplesmente rasga a ansiedade, você se torna automaticamente mais leve. Sem cobrança. Nem sua nem de ninguém. E viver com o peso de bigorna no peito vai fazer bem pra quem? Aceitar a leveza. Aceitar suas fraquezas e vulnerabilidades. E claro, valorizar suas forças e qualidades de agora. Da pessoa que você é e não da pessoa que você queria ser. Eu só tenho o hoje pra ser essa pessoa. Eu só tenho o hoje pra ser feliz. Eu só tenho o hoje pra passar minha mensagem. Pra viver minha verdade.

Tanta coisa mudou pra mim só pelo fato de começar a pensar assim.

A gente não sabe o que nos espera nas esquinas da vida. Talvez você viva até os 100, mas a gente tem que aceitar que talvez sejamos um desses casos de quem vai cedo. Acontece. E falo isso sem a menor morbidez. Falo isso com a esperança de estar fazendo o máximo pra aproveitar a minha vida. Que é única. Que é agora. E que não terei uma segunda oportunidade pra vivê-la.

Quem sabe o que pode acontecer. Talvez eu nem consiga finalizar esse tex