Facut in Brazilia 2.0: Simão Ayres, seu contato com um ex-craque romeno e suas passagens pelo “Romenão”

Simão Ayres conquistava em 2006 a Taça BH, um dos principais torneios de juniores do Brasil, pelo Atlético Paranaense. Ainda aos 18 anos, tinha um contrato com o clube que expirava em janeiro de 2007. As atuações do atacante curitibano no torneio, porém, fizeram com que sua carreira fosse começar, de fato, na Romênia.

Viorel Moldovan foi um dos grandes atacantes da Romênia nos anos 90 e na primeira metade dos anos 2000. Ídolo no Dinamo e no Rapid Bucareste, disputou 70 partidas pela seleção e se aposentou ao fim da temporada 2006–07, pelo Rapid. Em 2006, acompanhou a Taça BH. Viu, no time campeão, o atacante Simão Ayres, e o levou para a Romênia em fevereiro de 2007.

O brasileiro não chegou a assinar pelo Rapid, que na época, era ainda uma das potências do futebol romeno. Um ano antes havia chegado às quartas-de-final da Copa da UEFA, perdendo para o Steaua. Em vez de jogar em Giulesti, foi para um clube menor. O Baia Mare, à época na segunda divisão romena e na cidade homônima 592km ao norte da capital Bucareste. “Acabou não dando certo no Rapid, aí fui para o Baia Mare. Foi muito importante para mim esta passagem na Romênia. O Moldovan me ajudou muito lá”, explica Simão.

Simão chegou para ser o primeiro estrangeiro da história do Baia Mare. Em sua passagem, jogou apenas a segunda metade da temporada. Fez 16 jogos e 8 dos 27 gols do clube na Liga II. Não o suficiente para o clube acabar rebaixado para a terceira divisão romena, caindo em 16º lugar de 18 clubes no seu grupo. Mas o suficiente para levar o brasileiro ao Gloria Bistrita, da região da Transilvânia, na primeira divisão.

Mas apenas cinco meses dos cinco anos de contrato foram cumpridos, nos quais Simão fez 10 jogos e marcou 4 gols sob o comando de Ovidiu Ioan Sabau, outro dos principais jogadores do país nos anos 90. O atacante foi se firmar mesmo no Botosani, de volta à segunda divisão. Foram 64 jogos e 24 gols marcados de janeiro de 2008 a janeiro de 2010. O primeiro clube em que Simão ficou profissionalmente mais do que seis meses. “Houve muitos atrasos de salário entre 2009 e 2010, por conta da crise que o país teve. Muitos times acabaram por causa das dívidas”, lembra o atacante.

Os quatro meses sem receber foram decisivos para que Simão deixasse o Bacau e a Romênia.

Simão deixou o Botosani em janeiro de 2010 e ficou até agosto sem clube, quando foi para o Bacau, na Liga III, a terceira divisão. Foi o período mais difícil de Simão na Romênia, com muitos salários atrasados. Em seis meses no clube, recebeu o salário por apenas dois. Foi o suficiente para Simão encerrar suas aventuras na Romênia prematuramente. “O Bacau me deve quatro meses de salário. 18 mil Euros. Eu não gostaria de ter saído da Romênia, só saí por conta dos problemas de salário”.

Simão ainda disputou a Série D do Brasileiro em 2011 com o Anapolina e jogou pelo Cuiabá, onde foi campeão matogrossense em 2013. Passou também pelo futebol maltês, onde ficou até outubro do ano passado.

“Só tenho lembranças boas, tenho muitos amigos na Romênia”

Apesar das várias trocas de clube e dos salários atrasados e até hoje não pagos, Simão avalia como positiva a experiência de quase quatro anos na Romênia. “Só tenho lembranças boas, também com os diretores e treinadores com quem trabalhei, tenho muitos amigos lá na Romênia, tive muitos amigos brasileiros. Me marcou muito o carinho que o pessoal tinha por mim lá, e espero voltar a jogar na Romênia novamente, mas espero muito arrumar um time no Brasil”.

*Facut in Brazilia foi uma série de entrevistas do blog O Craiovano, que conta histórias de jogadores que atuam ou já atuaram na Romênia. O Craiovano foi um blog sobre futebol romeno, introdutório ao trabalho de conclusão do curso de jornalismo na UFSC Craiova versus Craiova.