Texto curto, simplório e sem delongas sobre Neymar e o Athletic

Neymar só dá carretilha, balão, chapéu, elástico, caneta, quando o jogo já tá ganho? Bom, esperto o rapaz. E se tá perdendo por 2x0 e inventa um drible desses, erra e arma um contra-ataque adversário? Seria achincalhado, chamado de irresponsável, talvez pelos mesmos que proferem o argumento “só faz quando tá ganhando, quando o jogo já tá ganho”.

Todo mundo já falou isso, mas Neymar e seus adversários cumpriram seu papel. Não há muito a discutir. Os jogadores do Athletic Bilbao não poderiam ter reação mais compreensível e sensata. A falta foi cometida, sem golpes de kung-fu, sem voadoras de MMA. Neymar foi impedido de prosseguir a jogada, como deveria ser Embora a falta não tenha sido marcada. Irritados pelo resultado, pela provocação irrepreensível de um jogador que gosta de aparecer no jogo e sabe aparecer, eles partiram para cobrar satisfação. Uns empurrões aqui, vários xingamentos dali, tumulto. Neymar saindo de fininho, por dentro devia estar gargalhando. Resultado natural do lance. Uma catimba. Fosse qual fosse o placar, o tempo corria contra o Athletic, a favor do Barça.

A Espanha recente é do tiki-taka, de tocar a bola por horas sem objetividade nenhuma, de praticamente brincar de bobinho/rodinha com o adversário para ganhar tempo e manter a posse de bola até encontrar uma brecha na defesa adversária para iniciar um ataque, muitas vezes tocando a bola até a entrada da pequena área. Mas drible não, aí é desrespeito, uma afronta, uma deslealdade. Porque o drible não foi objetivo.

Reclama da falta de qualidade do futebol, mas reclama de um preciosismo recheado de catimba como foi o do Neymar? Melhor repensar os conceitos, estão conflitantes.

Uma pena que Neymar ainda não encarnou um Edmundo de 1997. De rebolar pra cima da zaga, pra cima da torcida, de tirar sarro mesmo. Mas já fez bem.