Tendências de estética digitais em identidades visuais

Todos dizemos que vivemos rodeados de marcas e que elas estão presentes em todos os momentos de nossas vidas, consciente e inconscientemente, e que é tão intensa que chega a ser invisível. Nos dias atuais, temos uma presença quase absoluta de intervenção de marca e somos influenciados por elas, seja desejo, admiração, repulsa. Segundo Joan Costa (2011, p.18) , todo mundo sabe o que é marca, por que vivemos rodeados delas, mas se perguntarmos teremos respostas imprecisas e incompletas, por mais complexas que sejam o assunto parece inesgotável. Mas o que é marca hoje?

Para Costa (2011), a marca é um signo sensível, sendo ao mesmo tempo verbal e visual. O signo verbal, designa a sua fala, como ele soa, porque sendo marca ela é em si um elemento comercial. Esse signo verbal é apresentado em forma de signo visual (logotipo, símbolo, cor), e como a memória visual é mais forte que a auditiva, ele precisa ser visto. Assim para Peon (2001), a justaposição desses signos planejadas em proporção e escala caracterizam a marca.

No contexto atual, estamos saturados de objetos, produtos, anúncios e materiais midiáticos que fabricam necessidades artificiais, junto de um bombardeio de conteúdo e imagens incessante que tentam constantemente disputar a atenção do consumidor. Dentro desse contexto Joan Costa (2011) aponta que a situação econômica mundial e a disseminação das imagens deram força para o culto ao fetichismo, sendo a marca é um dos maiores fetiches atuais. Pinho (1996) completa ainda que buscando de serem desejado e cultuado, as marcas buscam atributos intangíveis como garantia de maior ligação com o consumidor e diferenciação da concorrência. Pinho (1996) ainda aponta que o avanço tecnológico e a disseminação da informação se encarregou de tornar mais palatável e acessível aspectos emocionais de marca que antes não era possível.

Dentro desso contexto atual, Dijon de Moraes descreve: “O nivelamento da capacidade produtiva entre os países somado à livre circulação das matérias-primas no mercado global e à fácil disseminação tecnológica reafirma o estabelecimento de um novo cenário mundial, promovendo, por consequência, uma produção industrial de bens de consumo esteticamente massificada, composta de signos imprevisíveis e repleta de conteúdos frágeis. Tal fato contribuiu decisivamente para a instituição de uma nova ordem: a do “cenário dinâmico”.” (MORAES, 2011, p. 35). Mas por que mesmo dentro de um cenário complexo e dinâmico que vivemos encontramos muitas marcas parecidas?

Segundo Gombrich, (1999), esse fator está ligado a o espirito de uma época. O espirito da época é expressado pelas ansiedades, expectativas da sociedade, alinhada aos avanços sócio-culturais e tecnológicos do período vigente. E como vivemos num período de constante eferverscência cultural, estilos que antes definiam um longo período, agora duram meses, quando muito. As novidades aparecem e já afloram quase instantaneamente, são replicadas em pouco tempo e somem na mesma velocidade que surgiram.

No meio dessa constante produção de conteúdo, percebi dentro da área de design um crescente uso de estética digitais em identidades visuais. O aumento do uso de elementos que seriam estritamente digitais, tal como grids 3d, cores luminosas presentes apenas em RGB, mesclas de cores.

Selecionei a identidade visual do Radugadesign para exemplificar o uso de grids 3d combinado com as cores que originalmente seriam possíveis apenas em RGB. Eles usam figuras modeladas em 3D nos materiais de comunicação do escritório. Existe um cuidado em direção de arte, para que cada elemento esteja claro. A palheta escolhida remete a efeitos de luz sobre texturas renderizadas e ela é levada para os materiais impressos com a mesma fidelidade que aparece em tela.

A seguir a identidade visual do evento Tomorrow Awards, realizado em Barcelona, que usa elemento renderizados para representar, de forma abstrata, cada categoria da premiação.

Assim como o anterior, essa identidade possui fortes elementos renderizados em seus materiais. Como é uma identidade com menos pontos de contato, o uso desses elementos podem ser melhor controlados.

Também apresento a identidade do Portfólio Review SP, 2014, com extensa palheta de cores referentes a RGB. Da referência das pedras metalizadas, gerou o desenho do logo e os desembramentos.

Identidade Visual do Portfolio Review SP por Amanda Louisi

Conclusão

Percebo que empresas que são voltadas a tecnologia e design tem um viés experimental maior, e por ter maior controle dos processos e dos materiais que estão em contato, buscam soluções mais ousadas. Participar do processo completo e da proximidade dessas marcas com seus criadores gera um melhor controle em processos de finalização e impressão, E em decorrência dos avanços tecnológicos de processos de impressão, fidelidade de cor e suporte podemos, me incluo dentre eles, conseguir melhores resultados estéticos para as identidades que são desenvolvidas, assim criando novas experiencias estéticas aos usuários.

Bibliografia

COSTA, Joan. A imagem da marca como um fenômeno social. São Paulo: Rosari, 2011.

GOMBRICH, Ernest Hans. Os Usos da imagem. Porto Alegre: Bookman, 2012.

MORAES, Dijon de, 2011. Metaprojeto como modelo projetual. Caderno de estudos avançados em design: Método. Editora da Universidade de Minas Gerais.

PEON, Mario Luiza. Sistemas de indetidade visual. São Paulo: 2AB, 2001.

PINHO, J. B.. O poder das marcas. São Paulo: Summus, 1996.

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