Agora muita gente culpará o Felipão, ou o David Luiz, o Fred, a Dilma, a Fifa, a Globo, os “moicanos coloridos”, os “Instagrams com hashtags”, as “chuteiras diferentes”, o “Neymarketing”, a exportação de jogadores para Europa, a falta de hospitais e escolas e até a mãe do juiz (aquela p*ta) pela derrota do Brasil para a Holanda e pelo vexame contra a Alemanha terça-feira passada. A culpa nunca é nossa por esperar muito de um simples jogo de futebol.
Alguns dos torcedores viraram a cara: “não sou brasileiro, sou carioca. Próxima semana é a vez do meu mengão.” Esses sim nunca reclamam da arbitragem, não vaiam o time quando está na lanterna do campeonato, até parece que nunca quebraram pau com outros torcedores.

Já é normal alguns times brasileiros trocar de técnico algumas vezes por ano. Flamengo, Corinthians, Grêmio, qualquer um deles, basta os torcedores e dirigentes não estarem satisfeitos. Por isso não é surpresa que coloquem a culpa no Felipão, ou no Mano Menezes, ou no Dunga, quem sabe até no próximo “professor”, seja ele o Tite ou o Mourinho, sondado pela CBF segundo a ESPN.
É por isso que muita gente já fala em reforma. Para eles o Brasil não tem mais craques, as escolinhas de base não são suficientes, o Brasileirão nem se compara a Liga dos Campeões. Talvez estejam certos, talvez seja hora mesmo de mudar, mas isso só reforça a piada já gasta e sem graça de “preferia as escolas e hospitais”.
Não é futebol que tem faltado, ou menos estrelismos, menos comerciais do Itaú. Está na hora do brasileiro parar de botar a culpa uns nos outros por suas falhas, seus preconceitos, sua pobreza. Finalmente dar sentido ao “orgulho e ao amor” que cantaram nos estádios em todos os jogos. Hipócritas, todos nós. Somos parte do problema. Não há “sistema” ou uma solução fácil.
Não tem a ver só com a política, o pão e circo e os diversos problemas que o Facebook gosta tanto de revelar. Para alguns a derrota da Amarelinha não poderia ter ocorrido de melhor maneira. Uma possível vitória dos hermanos na nossa própria casa então é a “melhor gozada que podem dar com o p— dos outros”. Torcedor chorando é motivo de riso, pois são todos idiotas por terem se preocupado tanto com o futebol, ou com BBB, ou com carnaval, ou com a novela das 9. Em suma, tudo que faz de nós brasileiros, para o bem ou para o mal, só pode ser motivo de revolta ou de piada.
A verdade é que, gostando ou não de futebol, esta Copa ficará marcada para sempre. Positivamente, pela qualidade dos jogos, o número de gols e a festa de cada torcida, dentro e fora do campo, estrangeira ou nossa mesmo. E negativamente, pela derrota histórica do Brasil contra a Alemanha, pela péssima arbitragem e, principalmente, por todos os outros motivos que fizeram alguns não quererem Copa em primeiro lugar. Teve Copa sim e nós a amamos até mesmo quando queríamos odiar.
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