Não confunda gente tóxica com assédio moral!
O Brasil se encontra com mais de 50 milhões de pessoas desempregadas. Metade da população sobrevive com R$413 por dia e os empregos informais aumentaram significativamente há alguns anos. Dentre tanto desespero, muitos acabam se submetendo ao trabalho que escraviza, humilha, tira a auto estima, diminui.

É difícil abrir um debate como o assédio moral dentro de um campo onde as pessoas precisam sobreviver, é difícil aceitar que as condições de trabalho são vexatórias quando não se há mais oportunidades. É difícil.
O julgamento entre o que é ser um bom profissional e o que é estar sendo feito de palhaço requer inteligência emocional, requer aprendizado do mercado. “Estamos perdidos com um monte de gente tóxica ou o que estou vivendo é assédio moral?”.
Antes entenda se o que você está vivendo faz parte de uma rotina onde constantemente o trabalho ocupa sua cabeça, tornando tudo produtivo ou se você apenas se acostumou com seus chefes dizendo que você não tem capacidade para estar ali e que jamais vai crescer na empresa caso continue assim.
É importante entender que cada função, cada profissional, tem seus deveres, direitos e ambições, assim como os demais funcionários, todos ali , assim como você estão aprendendo algo, almejando algo, buscando uma “condição melhor”, em muitos casos você e os demais querem apenas estabilidade. Nada mais justo que lutar por isso, estudar, se interessar, fazer acontecer. Entenda que você não está sozinho nisso, se você quer mudar, a empresa pode caminhar junto com você para essa mudança, afinal, do que adianta contratar um profissional e não ter segurança no seu trabalho? Do que adianta?
Vale saber diferenciar o que são pessoas consideradas “tóxicas” e as que simplesmente, dia após dia, te diminuem a ponto de você já aceitar que está errado para SEMPRE. Quem é tóxico tem uma personalidade que geralmente não muda, não entende e acha que os seus problemas são piores que os de quaisquer outras pessoas, pessoas tóxicas usurpam lentamente daqueles que querem crescer, os tóxicos não ligam se você está bem ou não, se vai te fazer mal ou bem, ele apenas quer você sendo controlado, dominado, abaixando a cabeça para tudo o que lhe for dito. Temos exemplos de atitudes tóxicas como: em relacionamentos interpessoais, em trabalhos (muito comum) e na família. Não estamos livres de pessoas tóxicas, elas estão por toda parte e a qualquer momento você pode sofrer ao cruzar com alguém assim.
Pessoas tóxicas precisam de ajuda, real! Precisam de alguém que lhes diga que as atitudes são tóxicas e que mudar depende mais da própria pessoa do que de outras, é ainda mais sério quando a pessoa tóxica sofre de transtornos obsessivos, como depressão e ansiedade. São gente e precisam de ajuda. Há os mau encarados e amargurados? SIM! Mas não esqueça que tudo é construção social e que o fato de alguém ter uma personalidade forte faz com que ela nem sempre perceba que o que está fazendo está prejudicando os outros.
Diferentemente do tóxico, a pessoa que assedia é diferente. O assédio vai além do controlar alguém, ele invade o psicológico, não pede licença e vai logo moldando alguém de um jeito que tortura. A sociedade é muito assediadora, nós reafirmamos padrões sociais e comportamentais e por si só nós se estressamos com esses padrões. O assédio moral não é bem um crime em lei, não está na legislação, mas quando um assédio moral é provado ele pode ser levado para a Justiça sendo então crime aos danos morais. Os erros mais comuns de quem assedia moralmente um funcionário dentro do ambiente de trabalho são: não dar nenhuma tarefa, atribuir “erros” imaginários, punir injustamente (você está trabalhando, o fato de estar sendo pago para realizar um tarefa não é direito de seu chefe ou qualquer outro colaborador punir) e humilhação pública ou privada.
A gente se sujeita a isso porque precisa, seja pelo dinheiro ou pela experiência, aceitar esse tipo de tratamento é compactuar com o assédio, por isso é preciso ter consciência dos seus limites, dos limites do que é trabalho e do que é pessoal, entender que nem todo tipo de “brincadeirinha” é válida quando alguém se ofende. Estar em um ambiente de trabalho é dever ser profissional, não aceitar que por menor que seja o seu cargo, que por mais que seja necessário priorizar os clientes, nada, nada mesmo, vale sua saúde mental. Muitas vezes o dano é irreparável, há quem pega traumas, como aqueles professores que enlouquecem por conta dos alunos e tem pavor de giz. Não seja mais um número dentre tantos que sofrem com isso.
Não é fácil, estamos cercados pelo medo de viver aquilo de novo e de novo, além de ser nocivo para sua saúde mental e até física. Segundo a médica e psicóloga Carla Júlia Segre Faiman da USP (Universidade de São Paulo) em seu artigo “A queixa de assédio moral no trabalho e a psicoterapia”, o assédio moral pode ser definido como situações em que a violência emocional é deliberada e repetidamente provocada contra uma pessoa. Deve ser falado. Deve ser exposto. As pessoas devem denunciar. Sem nenhum direito a menos!
