Bom dia

Depois do último texto foi como se tivesse saído um peso das costas. Já nem me sinto mais tão depressivo e hoje estou afim de falar coisas engraçadas e felizes.

Mentira. Depois de um feriado, cujo eu trabalhei todos os dias, hoje já é segunda feira.
Seis e meia da manhã o despertador toca. Ignoro-o. Meu irmão me chama “ta na hora, veado”. “Já é segunda feira? Toda semana tem essa palhaçada agora?” — indignei-me. Abri um olho e olhei o facebook/wpp. Maldito vício.

Me arrastei pro banheiro com os olhos fechados. Sentei no vaso. Dormi no vaso. Acordei e fui pro chuveiro. Dormi no chuveiro.

Sai do banheiro desesperado. “Merda de segunda feira”. Me arrumei como um ninja e preparei minha bolsa.

Hoje é segunda, dia 08, já tenho uma conta vencida e outras duas já vão vencer. Odeio pagar conta, poderia gastar meu dinheiro de uma forma melhor, comendo bacon por exemplo (amiga que não come carne, não se irrite s2). Peguei o dinheiro e dei pro meu irmão pagar. Não tenho coragem de pagar conta, me dói o coração.

“Tia, to atrasado, comecei a semana mal” — disse eu, “você ta sempre atrasado, porra” — disseram minha tia e meu irmão em coro. Odeio quando eles tem razão.

Quando chego no ponto o ônibus chega junto comigo, abro um sorriso por não precisar correr (#chupa azar). Chego na estação de trem e ele chega exatamente quando eu desço as escadas (#chupa mais que ta pouco).

Dentro do trem, cheio de calor humano. Pessoal das cartas gritando como se estivessem num cassino, o tio de Jesus falando que ele está chegando (pego trem há 6 anos e desde lá ele está chegando. Ta vindo de longe hein, gzuis).

Abro meu livro, “Segundo tratado sobre o governo civil”, estou com a minha camisa social, tirei os pentelhos da minha cara que chamam de barba. Na minha frente tem uma velha guarda com a filha. Mesmo com os meus fones ouço ela dizer “bom rapaz, trabalhador e estudioso”, velho não sabe disfarçar. Com tanto calor humano dobro as mangas da camisa e consequentemente aparecem minhas tatuagens. A cara da velha fechou, velho não sabe mesmo disfarçar.

Chego do meu destino, são 07:40 hrs, pego no trabalho às 8 horas. No meu passinho de velocista eu chegaria em 20 minutos (um percurso que todo mundo faz em 10). Resolvi acelerar o passo. Fiquei ofegante como um corno.

Avulso do mundo com meu fones de ouvido estourando meu cérebro não percebi a pequena confusão se formando, só quando todos pararam de andar para ficar olhando. Dois grupos de cracudos estavam brigando porque um deles cagou no espaço do outro, ali mesmo, no meio do parque. Como eu amo o Rio de Janeiro. Não pude ver o final o espetáculo, estava atrasado. Todos os sinais se fechavam para eu passar. Gzuis, prometo parar de te zoar se continuar assim.

Cheguei no trabalho, o resto do dia não tem mais aventura, basicamente eu sento e durmo.

Kaike, que bela manhã hein.

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