Decisões e consequências

No final do ano passado quando eu cogitei largar a faculdade e começar outro curso, de novo, minha mãe ficou bastante preocupada. A sua raiva naquele momento foi justificada, na verdade até coerente. Mamãe me perguntou o que eu queria fazer da vida, qual seria o meu futuro. Eu só respondi que “queria ser rico”.

De lá pra cá devem ter passado uns 4 meses, e em mais uma das nossas conversas da madrugada minha mãe me indagou “Kaike, ser rico não é uma escolha, é uma consequência. O que você quer da sua vida?”. Por incrível que pareça, de lá pra cá eu fiquei menos burro, menos ignorante na verdade. “Mãe, eu quero ser inteligente”.

Imerso na minha ignorância eu percebi que “ser inteligente” é mais uma consequência das decisões que você leva ao longo da vida, e provavelmente minha mãe percebeu isso também e daqui algum tempo vai me refazer a pergunta.

A vida é tomada de decisões que te cobram resoluções muito rápidas, o crescimento deve ser instantâneo, o aprendizado, crescer, ser feliz. São coisas que a vida te cobra quando na verdade você ainda queria estar deitado de cueca assistindo (coloque aqui seu desenho favorito).

Ano passado eu via meus amigos diariamente, hoje a única coisa que está na frente dos meus olhos é o teclado do computador com textos que eu me obrigo a fazer todos os dias. Apesar de amar escrever, de querer levar isso para o resto da vida, hoje eu vi a minha foto com os meus amigos e meus olhos deixaram escapar uma lágrima.

Hoje eu percebi que ser rico não é uma prioridade, com o tanto de almas ao meu redor me desejando o melhor, acho que ser rico é a menor das preocupações. Ser inteligente isso eu não vou desistir nunca de ser, e provavelmente nunca o serei.

Eu ainda não defini o que eu vou fazer da minha vida, tenho planos que serão mudados, daqui a pouco talvez, não sou uma caixa fechada com fluxo de entrada e saída interrompido.

Quero viajar o mundo, conhecer pessoas, sorrir, cantar, dançar. Tudo isso em 10 dias, por que a vida não espera ninguém. Viver muito não é prioridade, viver bem e rodeado sim. Do que adianta viver a eternidade, se o amor partiu faz anos?

A próxima vez que mamãe me perguntar o que eu quero da minha vida eu queria responder “quero viver bem e feliz”, mas dessa vez eu vou saber que isso será apenas uma consequência de viver. Mas quem liga, meus planos estão traçados por milhões de estradas e eu só tenho 21 anos e muita saúde (pelo menos deveria ter, cadê meu remédio do joelho?) pra ficar definindo caminhos que vou seguir quando tiver 31, se eu tiver.

Por enquanto me contento em continuar fazendo o que já estou fazendo. Amando, sorrindo, morrendo e vivendo.

A todos os meus amigos, um grande beijo, no fundo de seus corações juvenis.

Like what you read? Give Kaike Souza a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.