Palavras

As palavras possuem a magia imaterial de produzir sentimentos. De verbalizar a alegria, despejar as lágrimas que já não queremos mais que rolem pelo nosso rosto. As palavras transportam no papel as aventuras de um acontecimento passado ou que está por vim ou que se eternizou em nosso íntimo sem nunca ter tido o prazer de vislumbrar o mundo real.

A alegria, como todos sabemos, não pode ser sentida por inteiro pelo intermédio da palavra. Por melhor que seja o poeta, exprimir um sentimento tão subjetivo em sua totalidade não é uma tarefa palpável. Mas ter como regente um belo poeta que não se opõe em verbalizar seus sentimentos e um leitor que além de sensível aos poderes da palavra se faz conhecedor da trajetória desse mesmo poeta a tarefa de produzir a sombra da alegria se torna mais fácil, já que os dois, poeta e leitor, compartilharam os momentos de dor e caminharam juntos ao pico da alegria as palavras servem apenas e sobretudo de instrumento de lembrança e mesmo que a alegria não seja a mesma ao ler, o sentimento de satisfação se perpétua por toda a vida da lembrança.

Viajar no mundo da escrita alivia o coração e tranquiliza a alma que acumula as dores da angústia. A continuidade de um diário se torna eficiente por essa premissa. A palavra tem essa magia, não só de lembrar de momentos felizes, mas também de tranquilizar os ruins.

O mundo da leitura te transporta para terrenos distantes, amores impossíveis e aventuras inimagináveis. Se torna um passatempo ou momento de reflexão. A palavra não é incompleta mesmo em sua incompreensão, ela é subjetiva de acordo com o modo de que é utilizada. A palavra transporta no papel, o que a alma não consegue transmitir ao outro corpo.

Por maior que seja a energia envolta das palavras, por mais habilidoso que seja o escritor ou por mais tocante que seja a escrita as palavras não possuem o poder de se materializar, de criar afeto. Ela pode ser um freio para dor, mas não fim. Tal qual um abraço que se faz necessário na dor ou vários sorrisos e copos que se fazem presentes em toda alegria. A palavra ainda não é tão forte ao ponto de se embriagar e rir a noite toda em nossa companhia. Tenho fé que esse dia ha de chegar.

E pra quem só poetizava drama, espero que minhas palavras externem: não mais triste estou.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.