Nós compartilhamos ódio? Pense bem!

O Rotaractiano, como agente de mudança e conscientização, precisa urgentemente parar de falar na terceira pessoa. Vou explicar. Temos uma incrível capacidade de nos achar “diferentes”, possuidores de uma aura ética comportamental, como se todos os problemas que assolam a sociedade, também não tivesse efeito em nós mesmos.

Estamos falando sempre “neles”. “Eles” precisam se conscientizar. “Eles” precisam se atentar ao “seus” atos. Precisamos combater o preconceito “deles”.

Uma pergunta pertinente da Rotaract Brasil: Você compartilha ódio? PENSE BEM!

Como esse texto é um pedido para que olhemos para nós mesmos, na primeira pessoa, do singular e plural, vou falar por mim.

Já tive atitudes racistas, homofóbicas, machistas, transfóbicas, xenófobas, e provavelmente, outros comportamentos preconceituosos. E sabe porquê? Primeiro, porque antes isso não parecia ser um problema. Segundo, porque isso fez parte da minha criação cultural (escola, família, mídia). Terceiro, porque é incrível o poder que estar em um grande grupo, frente a um pequeno grupo exerce, ou mesmo apenas estar em grupo, como nós.

Sabe, o parágrafo acima deve ser difícil de escrever pra qualquer pessoa, como era pra mim, porque pra fazer isso a gente precisa admitir muita coisa. Porém, admitir isso também é superar. Sou grato a um puxão de orelha de um amigo que me alertou ser atitude racista chamar o cabelo do outro amigo de “ruim”. Vale demais a pena ser lembrado todo dia que um cara que tem atração por outro, é só isso, que não é desrespeito. É forte demais saber que mulheres têm medo de passar na mesma calçada que um homem, à luz do dia. Ter levado um ou mais toques sobre essas e outras coisas relacionadas a preconceito, me fizeram refletir e entender que muitas das minhas atitudes eram ruins. Me fez perceber que “Eu” também era “Eles”.

Você compartilha preconceito? Pense Bem.

Já ouviu falar em empatia? Provavelmente. Pois essa é a atitude que eu proponho: Dar voz a quem se sente discriminado e/ou reprimido. Escutar essas (muitas) vozes. Se colocar no lugar de cada um e entender que, apesar de que nunca vamos compreender exatamente a dor do outro, a luta por dignidade é da humanidade e não de indivíduos isolados, até porque “Nenhum homem é uma ilha; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti ”. A frase de John Donne inspirou Ernest Hemingway, que nos inspire também.

A Semana Mundial do Rotaract, celebra a semana de aniversário do Rotaract Club, uma organização global, que reúne jovens líderes de 18 a 30 anos de idade. Rotaract é um programa parceiro do Rotary Internacional.

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