A vida que não escolhi ter

Eu não sei muito bem explicar o início dessa minha decisão, ou quando realmente comecei a ser assim, só sei que estou no meio desse processo de não ser algo. Que basicamente é não ter certo comportamento ou agir de certa forma pelo motivo que todos fazem sem pensar antes sobre.

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Uma das primeiras coisas que eu escolhi não ter foi a busca pelo status, em uma fase em que todos buscam fama, likes, eu escolhi me autoconhecer. Percebi como a opinião do outro muda as pessoas ao meu redor e como me afetou algumas vezes e SIMPLESMENTE ODIEI ISSO, por mais que eu não seja chegado em baladas e bebidas eu ia pelo motivo que todos iam, mesmo que eu achasse o posicionamento de um certo meme errado eu falava pelo motivo que todos falavam e depois de um tempo percebi que isso só fazia mal a mim. Depois disso, acabei descobrindo que estar feliz comigo mesmo e em paz é mais importante que estar sobre o manto de algum status.

Não compartilhar cada momento da minha vida nas redes sócias, percebo que desde influenciadores digitais até gente que senta do meu lado no busão está fazendo stories/snaps/momentos 24/7 e me pergunto o porquê dessa exposição toda. Já perceberam quantas pessoas opinam sobre a Pugliese e todas as outras @? Agora em uma escala menor, já se perguntou o quanto de gente opina sobre a sua vida por meio dessa exposição? Sério, não gosto nem um pouco dessa fofocada toda não, aprecio tanto os meus momentos sabe, desde pores do sol na orla até as festas de família e esses momentos são queridos e muito preciosos para que eu os viva através de uma tela. E sério gente, não tenho essa vocação de acordar me arrumar e BOM DIA MENINAS, TUDO BOM COM VCS ? tipo isso não sou eu.

Não viver a expectativa ou outro se esse não for o meu sonho, quantas vezes a gente não esbarra naquele “queria que meu filho/neto/amigo/namorado fosse…” Eu entrei na igreja, não por achar que ser gay é pecado, mas porque a minha família sempre ia e nossa detestei aquele lugar, cara não tinha nada a ver comigo estar ali compartilhando de uma opinião ideológica que não era a minha e olha que passei por umas quatro ou cinco antes de desistir totalmente. Percebi que não existe uma religião certa e se eu bem quisesse, poderia acreditar em um pouquinho de cada até formar o que os outros chamam de fé.

Não terceirizar a culpa, responsabilidade é um dos maiores fardos da vida adulta, responsabilidade emocional para cá, responsabilidade financeira para lá e responsabilidade com os prazos acolá.

Não ser a beyoncé o tempo todo, algum tempo atrás um grupo de amigas minha fez uma intervenção na minha vida e a frase que ficou foi “Até a Beyoncé dorme”, sabe aquela fase que você quer fazer de um tudo um pouco e acaba se esquecendo de si? Então, eu estava exatamente nesse momento com 10 matérias, 3 projetos e treinos integrais no cheer, basicamente não tinha tempo/força/energia para fazer nada e vivia cansado. E depois de algum tempo consegui me desafogar de todas as coisas e ser mais presente na minha própria vida.

Não me sentir mal comigo mesmo, já falei sobre isso nesse post, mas o fato de refletir, me perdoar e me entender a cada momentozinho da vida, torna o viver mais belo e precioso.

Não ser aquilo que odeio no mundo, tem certos comportamentos que eu vejo e fico me perguntando o porquê de a pessoa ser assim. Fofocas, intrigas, ego inflado, egoísmo, prejudicar alguém, inveja, ciúmes…. São coisas que eu detesto muita na nossa sociedade, meio que descordando em partes com O Pequeno Príncipe, eu não quero ser responsável por todos, mas também não quero prejudicar ninguém quando eu posso estar ajudando. Não entra na minha cabeça que fazer certos comentários maldoso, deixar de passar algum recado e coisas do tipo são atitudes plausíveis em uma sociedade que reclama tanto.